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Schroeder visita
Karzai e prevê sua vitória |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira, 12
de outubro de 2004
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CABUL - Os
votos nem começaram a ser contados, mas ninguém parece ter
dúvidas de que o presidente interino Hamid Karzai - apoiado pelos
Estados Unidos - ganhou com ampla margem de votos a eleição
presidencial de sábado. A começar pelo chanceler alemão,
Gerhard Schröder, que ontem fez uma visita de seis horas a Cabul,
para se reunir com Karzai e com as tropas alemãs que fazem parte
da força multinacional no país. "Sou da opinião
de que ele vai ganhar, e no primeiro turno", disse o chanceler aos
jornalistas, ignorando as queixas de candidatos da oposição,
segundo os quais a visita de Schröder é uma demonstração
de que a Alemanha, assim como os Estados Unidos, apóia a eleição
de Karzai. O Mercedes-Benz preto
do chanceler alemão se movimentou por Cabul num comboio composto
por quatro vans da polícia de trânsito, dois jipes e seis
veículos blindados de combate da Força Internacional de
Assistência à Segurança (Isaf), uma picape da Polícia
Nacional e um veículo 4x4 com agentes à paisana falando
nervosamente em walkie-talkies. Dois helicópteros deram cobertura
durante os trajetos e o trânsito foi interrompido por caminhões
do Exército afegão. A contagem dos votos
da eleição presidencial, a primeira da história do
Afeganistão, só começará dentro de dois dias,
depois que o Comitê Conjunto de Gestão Eleitoral (JEMB, na
sigla em inglês), que reúne representantes da ONU e do governo
afegão, receberem por escrito as queixas dos candidatos de oposição,
que denunciaram irregularidades no pleito. Enquanto isso, os funcionários
vão conferir se o número de cédulas em cada uma das
22 mil urnas bate com o das respectivas listas de votantes. Pelo menos dois dos
15 candidatos de oposição que boicotaram a eleição
alegando fraudes anunciaram que acatarão a decisão da equipe
de três especialistas formada pelo JEMB para apurar as denúncias:
Massuda Jalal, a única candidata mulher, e Mohammed Mohaqeq, da
etnia hazara (descendente dos mongóis). Há informações
de que o ex-ministro da Educação Yunas Qanuni, líder
tajique da Aliança do Norte, que se aliou aos EUA para derrubar
o regime taleban em 2001, e considerado o principal rival do presidente
Hamid Karzai nessa eleição, também deve adotar essa
posição. O embaixador dos EUA
em Cabul, Zalmay Khalilzad, um afegão naturalizado americano, tem
atuado intensamente nos bastidores para convencer os principais candidatos
a voltar atrás na decisão do boicote. O enviado da União
Européia ao Afeganistão, o espanhol Francesc Vendrell, também
se reuniu com alguns candidatos. Os oposicionistas que se mantêm
firmes no boicote acusam o presidente de estar oferecendo cargos no novo
governo em troca de apoio. "Se o povo afegão tiver votado
em mim, não haverá negociação de cavalos",
desmentiu Karzai, usando uma expressão que equivale a balcão
de negócios. "O tempo da negociação de cavalos
acabou no Afeganistão." A principal controvérsia
foi causada por uma aparente confusão num número indeterminado
de seções eleitorais, cujos funcionários trocaram
a tinta indelével destinada a marcar o polegar esquerdo dos eleitores
pela tinta que deveria ser usada para marcar as cédulas. O erro
permitiu que alguns eleitores lavassem o dedo e votassem mais de uma vez.
"Pelas evidências
que temos até agora, as irregularidades não foram suficientes
para impactar o resultado da votação", disse ontem
Vendrell. "Até em países desenvolvidos, há deslizes
técnicos em eleições. Perguntem à Flórida." |