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Na
reunião com líderes tribais, a voz das mulheres |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo, 3 de
outubro de 2004
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CABUL
- A tarde caía sobre o pátio do Qasr Shahi, ou Palácio
do Rei, que até 1973 abrigou a monarquia afegã, derrubada
num golpe de Estado. Sob seis enormes carvalhos, cerca de 250 chefes tribais
e líderes políticos esperavam pacientemente, sentados em
cadeiras de plástico. Por volta das 16h30, o presidente Hamid Karzai
finalmente veio caminhando por entre os jardins do palácio, escoltado
pelos guarda-costas da Dyncorp, a companhia texana de segurança
contratada pelo Departamento de Estado americano para protegê-lo. Um a um, cerca de
dez líderes foram se levantando para falar ao microfone, alternando
o pashto e o dari, os dois principais idiomas do Afeganistão. Basicamente,
sua mensagem era de apoio ao presidente, o franco favorito entre 18 candidatos
à eleição, no sábado. Depois que quatro homens
já haviam falado, Karzai interveio: "Onde estão as
mulheres desta reunião? Vocês não vão falar?
Vocês têm direitos iguais aos dos homens." Havia nove
mulheres. Outros três homens ainda falaram, antes que chegasse a
vez de duas delas se pronunciarem. Quando deram 17 horas,
muitos dos assistentes ficaram inquietos. É um dos cinco horários
em que os muçulmanos devem ajoelhar-se no chão para rezar,
voltados para Meca. Karzai sentiu a impaciência: "Quem quiser,
pode ir rezar tranqüilo. Deus é mais importante que eu."
Algumas dezenas se retiraram, mas a maioria ficou e a reunião prosseguiu,
com sua mescla impressionante de faces e estilos, dos barbados com túnicas
e turbantes até os impecavelmente barbeados e penteados, trajando
ternos ocidentais. Depois de uma hora,
a reunião chegou ao fim. Passando pelos jornalistas estrangeiros
que o aguardavam para a entrevista, ele pediu licença, em inglês:
"Vou rezar e já volto." |
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