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Comandante
americano elogia destreza
de Bin Laden |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado, 2 de
outubro de 2004
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CABUL
- O general David Barno, comandante das forças da coalizão
liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão, admira a capacidade
de adaptação e o desembaraço da al-Qaeda de Osama
bin Laden. "Podemos aprender com o inimigo sua habilidade em se adaptar",
reconheceu Barno, em entrevista a jornalistas estrangeiros em Cabul. Segundo
o general, Bin Laden tem sabido "evitar contatos (com a coalizão),
a não ser nos seus próprios termos", e tem também
explorado bem as vantagens da fronteira com o Paquistão. "Nós respeitamos
a fronteira", explicou Barno. "Eles, não." O general
acrescentou, no entanto, que a cooperação com os militares
paquistaneses tem aumentado. Ele citou um caso em que homens da al-Qaeda
voltaram para o lado paquistanês depois de um confronto com as forças
da coalizão, que avisaram os comandantes do Paquistão. As
forças paquistanesas saíram no encalço dos membros
da al-Qaeda. "Estamos tendo uma cooperação muito boa
com o Paquistão." À pergunta
sobre se tem evidências de que Bin Laden esteja vivo, Barno, que
está há um ano no Afeganistão, respondeu: "Não
tenho evidências de que ele tenha morrido, portanto presumo que
esteja vivo." O Estado perguntou se o chefe da al-Qaeda permanecia
num mesmo lugar ou em movimento. "Ele alterna as duas situações",
afirmou. O general se recusou no entanto a especular sobre a localização
exata de Bin Laden. "Se soubesse onde ele está, eu iria pegá-lo."
Mas confirmou que a al-Qaeda tem atuado ao longo da fronteira com o Paquistão,
uma faixa de 2.500 quilômetros na qual predominam tribos autônomas
em relação ao governo de Islamabad. Já os taleban,
cujo regime abrigava a al-Qaeda no Afeganistão até serem
derrubados em dezembro de 2001 pelos militares americanos, numa aliança
com seus opositores afegãos, concentram-se nas províncias
de Oruzgan, Zabul e Helmand, no sul do país. Finalmente, o outro
grande inimigo da coalizão, os mujaheddin ("combatentes da
liberdade") liderados por Gulbuddin Hekmatiar, têm atuado no
leste do país e nas cidades de Cabul e Kandahar. Os jornalistas perguntaram
qual era a missão dos militares americanos e o que definiria o
seu sucesso e o seu fim. Segundo o general, sua missão está
relacionada ao contexto maior da "guerra global contra o terrorismo",
e no atual estágio se estende a ações de "contra-insurgência"
e à assistência ao governo afegão para alargar o seu
alcance sobre o país. "O fim da nossa missão será
definido pelo povo e pelo governo afegão", disse Barno. "Os
afegãos querem muito que nós fiquemos aqui." As forças da
coalizão, cujo quartel-general funciona em quarteirões de
casas de classe média alta no noroeste de Cabul, compradas pelos
Estados Unidos, mantêm 20 mil soldados no Afeganistão, a
grande maioria formada por americanos. Outros 16 países têm
uma participação quase simbólica. Os 26 membros da Organização
do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e mais 11 países que
não integram a aliança participam dessa força. A
maioria são países europeus, com exceção dos
EUA - que contribuem com 181 soldados -, Nova Zelândia e Azerbaijão.
O maior contingente é o da Alemanha, com 2.111 militares, seguido
pelo da Espanha, com 983, o da Itália, com 932 e o da França,
com 917. Instalada no antigo Clube de Oficiais de Cabul, a força
não realiza ações ofensivas, mas apenas de manutenção
da segurança. Um novo Exército
afegão está sendo criado com assistência dos militares
americanos, que já formaram quase 30 mil soldados. No fim, o contingente
deverá somar 70 mil homens. Outros 13.500 policiais já foram
treinados pelos alemães. O objetivo é chegar a um efetivo
de 65 mil homens, incluindo a polícia de trânsito. O Japão está
conduzindo um programa de desmobilização, desarmamento e
reintegração dos membros do antigo Exército afegão,
a maioria dos quais se engajou nas milícias formadas depois da
expulsão dos soviéticos, em 1989. Embora o contingente estimado
do antigo Exército regular fosse de 100 mil, foram identificados
24 mil militares na ativa. Desses, 13 mil entregaram suas armas e se engajaram
em programas de capacitação profissional. O Japão
já investiu US$ 740 milhões nesse programa. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |