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Rivais saem, Karzai
avança sozinho |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo, 10
de outubro de 2004
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CABUL - Os
15 candidatos que ainda concorriam com o presidente interino Hamid Karzai
na primeira eleição presidencial da história do Afeganistão
anunciaram ontem o boicote à votação, afirmando que
o processo foi "ilegítimo" e comprometido por "irregularidades".
Outros dois candidatos, do total de 18, haviam declarado apoio a Karzai
na quarta-feira. Com isso, na prática, Karzai concorreu sozinho
à eleição de ontem. Segundo os candidatos,
que se reuniram para fazer o anúncio, a ONU, que conduz o processo
eleitoral no Afeganistão, estava apoiando Karzai, escolhido presidente
do governo interino numa loya jirga (assembléia de líderes)
de emergência em dezembro de 2001, em seguida à derrubada
do regime taleban pelos Estados Unidos, com a ajuda da Aliança
do Norte. O órgão
conjunto da ONU e do governo afegão encarregado de supervisionar
as eleições, conhecido pela sigla em inglês JEMB (Joint
Electoral Management Body), reconheceu num comunicado ontem à tarde
que houve "problemas técnicos" nas eleições.
"Mas o JEMB se sente encorajado porque o processo foi em geral seguro
e ordeiro", diz o comunicado. "Suspender a votação
agora seria injustificável, mas todas as queixas serão examinadas." "Temos informações
de um comparecimento impressionante em todo o país, com longas
filas nas seções eleitorais, incluindo mulheres", disse
o porta-voz da ONU, o português Manuel da Silva. A porcentagem de
comparecimento só deve ser anunciada hoje.O resultado oficial está
previsto para o dia 30. De uma população
de 24,5 milhões de habitantes, 10,5 milhões de cédulas
eleitorais foram distribuídas entre dezembro e agosto, das quais
41% para mulheres, apesar das ameaças da Al-Qaeda e dos taleban
de sabotar a votação e de matar eleitores. O JEMB admitiu que
houve problemas de manhã com o uso da tinta colocada no polegar
esquerdo dos eleitores para evitar dupla votação. Aparentemente,
alguns dos 120 mil funcionários eleitorais se confundiram sobre
que tinta deveria ser usada. O erro permitiu que vários eleitores
apagassem a tinta e votassem de novo. Segundo os porta-vozes do JEMB,
as instruções sobre o uso da tinta foram reforçadas
e o problema foi em geral sanado no decorrer do dia. Todos os eleitores
com os quais o Estado conversou disseram que tinham votado em Karzai.
Havia veículos circulando com cartazes do líder tajique
Yunus Qanuni, ex-ministro do Interior, um crítico da presença
americana no Afeganistão, e considerado um dos mais fortes oponentes
de Karzai. Qanuni foi um dos que boicotaram a eleição, assim
como a médica Massuda Jalal, única candidata mulher. Às 10h, cerca
de cem pessoas se reuniram na Praça Pakhtunistan, no centro de
Cabul, e deram a volta caminhando em frente ao palácio presidencial,
fortemente guardado por policiais e soldados do Exército. Com expressões
de alegria, alguns tocando tambores, eles vinham cantando "Zindabar
Karzai" (Viva Karzai). "Estamos celebrando nossa primeira eleição",
disse Abdul Salam Safi, de 29 anos, operário da construção
civil. "Ninguém
está com medo", apostou Adji Ekham, um empresário de
42 anos, ao sair de uma das dez seções eleitorais da Mesquita
Idgar, a principal de Cabul - um lugar que dificilmente seria atacado
pelos terroristas islâmicos. Praticamente todo
o comércio estava fechado e o trânsito na cidade, bastante
restrito, com muitas ruas - dando acesso a locais estratégicos
como repartições do governo e embaixadas - bloqueadas. Somente
veículos autorizados podiam se aproximar das seções
eleitorais. Carros com placas de fora e caminhões não puderam
entrar em Cabul nos últimos dias. No incidente mais
grave, um policial e três terrroristas foram mortos na província
de Logar, perto de Cabul, durante ataque a uma seção eleitoral,
segundo o Ministério do Interior. Três soldados americanos
foram feridos num ataque ao sul de Cabul. "A maioria dos ataques
a seções eleitorais pareceu não coordenada",
disse Lukfullah Mashal, porta-voz do ministério. Dois terroristas suicidas
foram presos na província de Nangarhar. Seis homens - quatro deles
usando fardas falsas do Exército - foram presos tentando intimidar
eleitores. Vários veículos carregados de explosivos e minas
foram encontrados pelas forças de segurança. Em todo o país,
14 mil policiais treinados pelos alemães e outros 29 mil soldados
treinados pelos americanos vigiavam as 22 mil seções eleitorais
e patrulhavam as ruas e estradas, apoiados por 9 mil soldados da Força
Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), liderada
pela Organização do Tratado do Atlântico Norte, e
por 17 mil soldados americanos. |