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Violência
pode afastar eleitor no Afeganistão |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira, 20 de
agosto de 2009
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CABUL O Taleban tem maior
presença no sul, de maioria pashtun (cerca de 40% da população),
reduto de Karzai. Seu principal rival, o ex-chanceler Abdullah Abdullah,
de pai pashtun e mãe tajique, também tem votos no sul, mas
é mais forte no centro e no norte do país, onde se concentram
os tajiques (cerca de 35% da população). Para compensar a força
de Abdullah no norte, Karzai reabilitou o general Abdul Rashid Dostum,
líder uzbeque (etnia que se concentra na região), exilado
no início do ano passado, depois de ter sido acusado pela Procuradoria-Geral
de manter um desafeto político em cativeiro. Chefe de gabinete
do comandante do Estado-Maior do Exército, Dostum voltou no domingo
da Turquia. As pesquisas de opinião
não capturaram o efeito da volta de Dostum, que tende a reunir
os votos dos uzbeques (cerca de 10% da população) em favor
de Karzai - parte deles desviados para Abdullah por causa do ostracismo
de seu principal líder. Pesquisa divulgada
na sexta-feira pelo Instituto Republicano Internacional (IRI), organização
não-governamental e apartidária americana, atribui 44% dos
votos a Karzai, seguido por Abdullah, com 26%; o ex-ministro do Planejamento
e deputado Ramazan Bashardost, da minoria hazara, 10% da população,
tem também 10% dos votos, e o ex-ministro das Finanças Ashrafi
Ghani, da etnia pashtun, 6%. Se nenhum candidato
obtiver mais de metade dos votos válidos, haverá segundo
turno dentro de seis semanas. Em 2004, Karzai, chefe do governo interino
desde 2002, apoiado pela comunidade internacional e escolhido por líderes
locais, elegeu-se no primeiro turno, com 55,4%. Realizada entre 16
e 26 de julho, a pesquisa do IRI, a mais completa e atual, também
não capta o efeito dos últimos atentados do Taleban - um
carro-bomba no sábado, com sete mortos, e outro na terça-feira,
com dez - sobre o ânimo dos eleitores de comparecer às urnas.
Dos entrevistados, 55% diziam ser "muito provável" que
comparecessem e 35%, "razoavelmente provável". As projeções
de analistas ouvidos pelo Estado variam. "O comparecimento será
de mais de 60%, aposta o deputado Mir Ahmad Joyenda, do Movimento para
a Democracia e o Progresso, cujo candidato a presidente não tem
chances. "Os atentados eram esperados", argumenta o deputado,
reconhecendo ser um otimista. "Se houver mais
ataques (hoje), o comparecimento poderá ser na faixa de 40%",
prevê Haroun Mir, diretor do Centro de Pesquisas e Estudos de Políticas
do Afeganistão. "Se ficar nesse patamar, o próximo
governo terá um sério problema de legimitidade." Wadir
Safi, professor de ciência política da Universidade de Cabul,
teme que a participação seja ainda mais baixa. "As
pessoas estão com muito medo", diz ele. "Se ficar em
apenas 10%, terão de anular a eleição." À pergunta
sobre a possibilidade de a alta abstenção comprometer as
eleições, o presidente da Comissão Eleitoral Independente,
Daoud Najafi, respondeu: "A lei não prevê um comparecimento
mínimo para que as eleições sejam consideradas legítimas."
Em entrevista coletiva
ontem de manhã, Daoud disse que até então 80% do
material eleitoral tinha sido entregue nas seções eleitorais.
Em três distritos, nas províncias de Farah (oeste), Nuristan
(sudeste) e Logar (centro), as "condições de segurança"
não permitiram levar o material pelas estradas, e seria transportado
por helicóptero. Segundo Najafi, os outros 20% seriam concluídos
ontem. Mas em 9 dos 365 distritos eleitorais, dominados pelo Taleban,
não haverá votação, que inclui também
os conselhos provinciais (prefeitos e governadores são nomeados
pelo presidente). Seis trabalhadores
a serviço da Comissão foram mortos por bombas colocadas
na estrada pelo taleban enquanto entregavam o material eleitoral - quatro
na província de Badakhshan (nordeste) e dois na de Kandahar (sul).
"Asseguramos que esses incidentes se Deus quiser não acontecerão
de novo", disse Najafi. "As forças de segurança
estão protegendo as seções eleitorais." |