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'Meu voto pode
mudar o futuro' |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira, 20 de
agosto de 2009
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CABUL Às 7h15, três
taleban invadiram uma agência do Banco Pashtany, e foram mortos
por policiais, deixando a cidade - em alerta vermelho desde o sábado
- ainda mais nervosa. Mas a maior parte das pessoas que transitavam nas
ruas se mostrava decidida a votar - talvez porque os mais assustados tenham
preferir ficar em casa. "Se as seções
eleitorais estiverem bem protegidas, vou votar", disse Shah Ghassi
Mohayuddin, de 46 anos, que vive de fazer consertos em casas. "Se
a cidade não estiver segura, não vou sair de casa, porque
tenho de sustentar minha família." Quatro filhos de Mohayuddin
morreram em ataques com foguetes do Taleban, que atingiram sua casa, durante
a tomada de Cabul em 1996. Restam-lhe oito para criar. Ele próprio
perdeu um olho e os estilhaços feriram suas pernas e tórax,
assim como de sua mulher. Mohayuddin não
tem candidato: simplesmente deseja votar. "Não decidi em quem,
porque não confio em ninguém", disse ele. "Da
outra vez, votei em Hamid Karzai, mas ele não fez nada por nós." "Apesar dos atentados,
vou votar, porque meu voto pode mudar o futuro do Afeganistão",
aposta Mohammed Jan Mohammadi, de 18 anos, estudante do ensino médio,
que trabalha meio período como feirante. "Vou votar em Abdullah
Abdullah, porque foi ministro das Relações Exteriores por
quatro anos, e sabe governar o país." "Com certeza
vou votar", garantiu Ruhollah Bolaghainzada, de 35 anos, que trabalha
na construção civil. "Se tiver chegado a minha hora,
vou me sacrificar." Embora seja da etnia tajique, ele é eleitor
do deputado Ramazan Bashardost, da minoria hazara, considerado um populista:
"Ele é quem cuida do povo pobre." Abdul Bassir Nazari,
de 24 anos, trabalhava numa borracharia até há 20 dias,
quando o dono a vendeu. Ele não vai votar, mas não por causa
do Taleban: "Não há nenhum bom líder neste país.
A situação vai piorar até termos um bom muçulmano
como líder." Nazari, da minoria túrquica, também
não gosta dos taleban: "Lamento muito que eles tenham feito
isso conosco. Os atentados suicidas são contra a prosperidade dos
afegãos." Seema Azimi, de 34
anos, foi a única que confessou: "Tenho medo de sair para
votar". Ela voltou recentemente de Nova York para trabalhar numa
organização não-governamental que prestará
assistência a crianças órfãs no interior do
Afeganistão. O trabalho só vai começar depois das
eleições, por questão de segurança. |
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