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ONU reconhece que
haverá fraude |
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SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira, 19 de
agosto de 2009
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CABUL "Não tenho
ilusões de que haverá irregularidades nessa eleição,
mas tenho certeza de elas não colocarão em jogo a sua credibilidade",
disse Eide durante entrevista coletiva, respondendo a uma pergunta do
Estado sobre as suspeitas de muitos eleitores de que a eleição
será fraudada. "Aprendemos
muito da eleição de 2004. O sistema de contagem de votos
é completamente diferente e a qualidade do material eleitoral é
melhor, com mecanismos para detectar fraudes." Eide comemorou o fato
inédito de os próprios afegãos organizarem as eleições,
por meio da Comissão Eleitoral Independente, em vez das agências
internacionais, como ocorreu na eleição de 2004 para presidente
e de 2005 para o Parlamento. Uma equipe da BBC
no Afeganistão, atuando sob disfarce, encontrou pessoas vendendo
títulos eleitorais por US$ 10 cada. De imediato havia disponíveis
mil títulos para venda, com toda a aparência de autenticidade,
com fotos, nomes e endereços. Um líder tribal na província
de Baghlan, no norte do país, que tem autoridade para determinar
o voto de muitos eleitores locais, disse à BBC que representantes
dos dois principais candidatos - o presidente Hamid Karzai e o ex-chanceler
Abdullah Abdullah disputam os votos numa espécie de leilão,
com lances de US$ 10 mil cobertos por US$ 20 mil. "No que se refere
à segurança, estávamos preparados para uma situação
mais difícil", afirmou Eide, minutos antes da explosão
de um novo carro-bomba em Cabul, que, como no atentado anterior, no sábado,
deixou sete mortos. Ele reconheceu, no entanto, que a segurança
é a maior preocupação da ONU: "Temos dias muito
críticos pela frente." O diplomata norueguês disse que,
antes da campanha, temia mais apatia política. "Não
foi o que aconteceu", constatou, lembrando os comícios que
reuniram milhares de pessoas e os debates entre os candidatos assistidos
por milhões de telespectadores, pela primeira na história
do país. Eide fez questão
de frisar que "a comunidade internacional é totalmente imparcial,
e são os afegãos que têm de escolher quem deve governá-los".
Karzai foi escolhido o preferido da comunidade internacional, na Conferência
de Bonn, logo depois da derrubada do regime taleban, no fim de 2001, e
depois confirmado por uma loya jirga (assembléia de líderes)
para chefiar o governo interino. Em outubro de 2004, venceu a primeira
eleição da história do país, e continuou sendo
visto como o escolhido da comunidade internacional. Mas sua imagem foi
desgastada pelas acusações de corrupção e
incompetência em seu governo. Com a eleição de Barack
Obama, ele perdeu o apoio quase incondicional que tinha do presidente
George W. Bush. O representante da
ONU fez um apelo para que os afegãos alcancem um "consenso
nacional" depois das eleições. "Um processo de
paz não pode acontecer se não houver um consenso amplo na
sociedade afegã", argumentou Eide. "Haverá ganhadores
e perdedores, mas estou preocupado com uma situação em que
o vencedor leve tudo." O apelo do diplomata reflete a preocupação
com possíveis confrontos depois da eleição. Eles
poderiam ser provocados tanto pela insatisfação dos partidários
de Abdullah com o anúncio de sua derrota quanto pela disputa por
espaço no governo depois da eleição entre os chefes
de milícias (conhecidos como "warlords" ou "senhores
da guerra") que apoiam Karzai. |
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