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Na reta final,
Karzai consolida aliança com 'senhores da guerra' |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira, 18
de agosto de 2009
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CABUL Chefe de gabinete do comandante das Forças Armadas, Dostum, um ex-comunista acusado de crimes de guerra, teve de fugir para a Turquia no ano passado, depois de ter sido denunciado pela Procuradoria da República pelo sequestro de Mohammed Akbar Bai, seu desafeto político. O processo tinha o apoio tácito do presidente, que procurava até o início do ano passado distanciar-se dos chefes de milícias, por pressão da comunidade internacional. Agora Karzai voltou
a cercar-se dos "senhores da guerra". No caso de Dostum, o objetivo
é neutralizar a ascensão de seu principal adversário
na eleição presidencial de quinta-feira, o ex-chanceler
Abdullah Abdullah, de mãe tajique e pai pashtun. Com 25% das intenções
de voto, contra 44% de Karzai, segundo a última pesquisa do Instituto
Republicano Internacional, Abdullah tem forte apoio entre os tajiques
do norte e do centro do país, e também atrai votos no sul,
de maioria pashtun - etnia de Karzai. "O representante
especial (Kai Eide) já disse que para levar este país adiante
é preciso mais políticos competentes e menos senhores da
guerra", disse à agência Reuters Alim Siddique, porta-voz
da missão da ONU em Cabul. Um funcionário do governo americano
disse à agência que os Estados Unidos deixaram claras ao
governo afegão suas "sérias preocupações"
com o futuro papel de Dostum e que a sua reputação "levanta
questões sobre sua culpabilidade por violações maciças
de direitos humanos". Na semana passada,
Karzai obteve o apoio de outro "senhor da guerra", Ismail Khan,
líder na importante cidade de Herat, no oeste do país. Os
dois candidatos a vice de Karzai também são ex-chefes de
milícias acusados de crimes de guerra durante a ocupação
soviética (1979-89) e a luta contra os taleban (1995-2001): o marechal
tajique Mohammed Qasim Fahim e Karim Khalili, da minoria hazara. Fahim
foi ministro da Defesa durante o governo interino de Karzai (entre a queda
do Taleban, em dezembro de 2001, e a eleição de outubro
de 2004), mas o presidente teve de destituí-lo por pressão
da comunidade internacional. Relatório da
organização não-governamental Afghanistan Rights
Monitor, divulgado no dia 30 de junho, intitulado "Os Senhores da
Guerra Vencedores", acusa Fahim e Khalili de crimes de guerra e afirma
que foram abertas ações para impedir que os dois concorressem
aos cargos, mas um "procedimento corrupto" permitiu sua manutenção
na chapa de Karzai. Outros "warlords",
que mesmo depois do desarmamento financiado pelo governo japonês
mantêm grupos armados, vastas extensões de terras e relações
de clientelismo em suas regiões, também apoiam o presidente.
Quatro candidatos "nanicos" a presidente, de um total de 36
ainda no páreo, retiraram ontem seus nomes em apoio a Karzai. Enquanto Karzai procura
consolidar-se no poder com essas alianças, Abdullah busca apoio
nas ruas. No último dia de campanha permitido pela lei, o ex-chanceler
reuniu ontem cerca de 10 mil pessoas no estádio de futebol de Cabul,
famoso por ter sido usado como palco de execuções durante
o regime taleban. É um feito para as precárias condições
de segurança dessa campanha, que o Taleban tem tentado perturbar
com atentados e intimidações. "Vocês querem votar
no presidente que solta assassinos e traficantes de ópio da cadeia?"
perguntou Abdullah aos simpatizantes, referindo-se a Karzai. Dois helicópteros
despejaram panfletos da campanha de Abdullah sobre o estádio e
outras áreas da cidade. "Compatriotas, acordem, é hora
de uma grande mudança", diziam os folhetos, em dari, pashto
e usbeque, as três principais línguas faladas no país.
De acordo com a agência France Presse, os pilotos dos dois helicópteros
e integrantes da campanha foram presos mais tarde, sob acusação
de violar o espaço aéreo de Cabul - incessantemente transitado
por helicópteros das forças internacionais que atuam no
país. |