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Candidatos buscam
o voto feminino em debate na TV |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira, 17 de
agosto de 2009
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CABUL Mas os outros candidatos
não quiseram ficar atrás. Ashrafi Ghani, ex-ministro das
Finanças no governo Karzai, disse que, se for eleito, oferecerá
dois ministérios a mulheres. E garantiu que não estava falando
de um ministério de assuntos das mulheres, como o que foi criado
por Karzai, que para ele tem pouca importância. "O Islã
garante muitos direitos para as mulheres", enfatizou Ghani. Ele é
o quarto colocado, com 6%, na última pesquisa de intenção
de votos, do Instituto Republicano Internacional (IRI), organização
apartidária americana. O ex-ministro do Planejamento
e deputado Ramazan Bashardost lembrou que foi o primeiro a empregar mulheres
em seu ministério. "Não devemos ver as mulheres como
cidadãos de segunda classe, mas como seres humanos, que têm
o direito de trabalhar", disse Bashardost, terceiro colocado na pesquisa,
com 10%. Duas mulheres estão entre os 36 candidatos a presidente,
mas sem chances. Há também muitas candidatas aos conselhos
das províncias, estimuladas por uma lei que destina 25% das cadeiras
para as mulheres. Karzai lidera todas
as pesquisas. Na do IRI, divulgada na sexta-feira, ele aparece com 44%
das intenções de voto. Em segundo lugar vem o médico
Abdullah Abdullah, que foi seu chanceler, com 26%. Abdullah, que havia
participado de um debate na TV no dia 23 com Ghani, no qual a ausência
de Karzai foi duramente condenada, não compareceu ontem. O governo de Karzai
é acusado de corrupção e incompetência na gestão
dos recursos doados pela comunidade internacional (US$ 30 bilhões).
O presidente reconheceu: "Cometemos erros nesses sete anos, mas não
os repetiremos no próximo governo." Ele governa o Afeganistão
desde 2002, quando foi escolhido por uma loya jirga (assembléia
de líderes tribais) com apoio dos americanos e dos europeus. Em
2004, foi eleito presidente no primeiro turno, com 55,4% dos votos. Dessa
vez, se as pesquisas se confirmarem, deve haver segundo turno seis semanas
depois do primeiro, que será na quinta-feira. Mas Karzai enfatizou
também os progressos do país. Segundo ele, de 2002 para
cá, a receita anual do governo subiu de US$ 180 milhões
para US$ 3,7 bilhões. Bashardost replicou que a renda per capita
subiu de US$ 180 para US$ 490 não por causa do aumento do Produto
Interno Bruto, que segundo ele encolheu, mas por causa do comércio
de drogas. O Afeganistão
é tradicionalmente o maior produtor de papoula do mundo, a matéria-prima
do ópio e da heroína. Os cultivos aumentaram e surgiram
laboratórios de refino da droga nos últimos anos. A revista
alemã Stern noticiou na semana passada que forças especiais
britânicas confiscaram toneladas de ópio em terras pertencentes
a um meio-irmão do presidente, Ahmed Wali Karzai, que preside o
Conselho Provincial de Kandahar. Ahmed Wali negou a acusação. Karzai vangloriou-se
de ter conseguido no último ano convencer a comunidade internacional
de que "o santuário do terrorismo não está dentro
do Afeganistão", numa referência implícita ao
Paquistão. Com isso, diminuíram as baixas de civis afegãos,
disse ele. O presidente reafirmou que, se reeleito, promoverá uma
loya jirga para buscar uma saída negociada para o conflito, com
todos que "não estejam vinculados a serviços de inteligência
de outros países" - outra referência ao Paquistão,
cujo serviço secreto, Inter-Services Intelligence (ISI), ajudou
a criar o Taleban, em 1993. Bashardost e Ghani
também são a favor de negociações: "Não
se consegue a paz pela força", repetiram eles. "As pessoas
buscam apoio no Taleban porque sabem que não podem contar com os
prefeitos e delegados de polícia", criticou Bashardost. Ambos
são nomeados pelo presidente. Ghani foi na mesma linha. Segundo
ele, os problemas no Sul e no Leste, onde o Taleban concentra sua influência,
"não são causados por divisões sectárias,
mas pelo mau critério na escolha de governadores e prefeitos".
Abdullah, que não estava no debate, defende eleições
diretas para todos os níveis. Pela forma como chegou
ao poder, recomendado pelas potências ocidentais na Conferência
de Bonn (dezembro de 2001), Karzai é visto de forma positiva como
o dirigente que tem apoio da comunidade internacional, mas também
de forma negativa como subserviente aos interesses externos. Os candidatos
da oposição procuram explorar esse ponto fraco. "Não
sou candidato para fazer o que a comunidade internacional me mandar",
disse Ghani. "Meu maior objetivo é a integridade do Afeganistão."
Igualmente, a veia
conciliadora de Karzai e seu diálogo mesmo com países vizinhos
cuja influência sobre grupos afegãos dificulta a solução
do conflito podem ser elogiados ou criticados. "Os Estados Unidos,
a Índia e o Irã são os causadores dos problemas do
Afeganistão", disse Bashardost. E, mais adiante: "Temos
de mostrar ao Paquistão e ao Irã que o Afeganistão
tem dono." |
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