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Eleição
afegã deve ter 2º turno, indica pesquisa |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado, 15 de
agosto de 2009
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CABUL De acordo com a pesquisa
do Instituto Republicano Internacional, uma organização
americana apartidária que monitora o processo eleitoral no Afeganistão,
44% dos eleitores pretendem votar em Karzai; 26%, no ex-chanceler Abdullah
Abdullah; 10% em Ramazan Bashardost, ex-ministro do Planejamento e deputado;
o ex-ministro das Finanças Ashrafi Ghani, que noutras pesquisas
aparece em terceiro lugar, vem em quarto, com 6%. Num dado que pode
parecer preocupante para Karzai num segundo turno, 58% dos entrevistados
disseram que uma aliança entre Abdullah e Ghani seria "uma
boa opção para o Afeganistão". A pesquisa indica
também que 81% têm uma "opinião favorável
sobre as qualidades de liderança" de Karzai e 71%, de Abdullah,
que lutou ao lado do general tajique Ahmed Shah Massud (morto em atentado
em 2001) contra os taleban, na Aliança do Norte. Bahardost, de
etnia hazara (minoria de origem mongol), obteve 60% nesse quesito e Ghani,
doutor em antropologia pela Universidade de Columbia (Nova York), 60%.
Numa demonstração
de força, o deputado Mohammed Almas, que também foi general
no exército de Massud, reuniu ontem cerca de 4 mil líderes
tribais das províncias de Cabul, Parwan e Kapisa (as duas últimas
a noroeste da capital afegã) para manifestar apoio a Karzai. O
evento ocorreu num local de forte simbolismo: a imensa tenda na qual foi
realizada, em dezembro de 2001, a loya jirga (assembléia de anciãos)
que confirmou Karzai - então o preferido dos Estados Unidos - chefe
do governo de transição, até as eleições
de outubro de 2004, quando ele foi eleito presidente. Na sua primeira
eleição, Karzai teve 55,4% dos votos, dispensando o segundo
turno. Karzai, que fez campanha
ontem em Herat (oeste), foi representado no encontro pelo candidato a
vice em sua chapa, o marechal Mohammed Qassim Fahim, ministro da Defesa
no período da transição, que também lutou
ao lado de Massud. "Muitos têm criticado a corrupção
e outros problemas similares", disse em seu discurso o deputado Abdul
Sattar Khawasi. "Claro que este governo teve muitos problemas nesses
sete anos, mas temos de compará-lo com os 200 anos de história
do Afeganistão", argumentou ele, lembrando que, antes de Karzai
assumir, os afegãos, para fazer uma ligação internacional,
tinham de ir até o Paquistão, e que o Programa Solidariedade
Nacional está levando água potável para todos os
vilarejos. Os taleban ameaçam
perturbar o dia da votação com 200 atentados suicidas. Nos
últimos dias, o movimento atacou edifícios de governos provinciais
e um comboio do ex-presidente Burhanuddin Rabbani. Uma bomba caseira colocada
na beira de uma estrada matou na quinta-feira três militares das
forças internacionais instaladas no Afeganistão. De acordo
com a Comissão Eleitoral Independente, a votação
não poderá ser realizada em 9 dos 365 distritos, a maioria
no sul, onde o Taleban exerce mais influência. Ahmed Wali Karzai,
presidente do Conselho Provincial de Kandahar e irmão do presidente
afegão, disse à agência France Presse que líderes
comunitários negociam com os taleban uma trégua para a realização
da votação, que elegerá também os integrantes
dos conselhos provinciais de todo o país. Ahmed Wali negou, no
entanto, que ele próprio tenha chegado a um acordo com os taleban,
conforme noticiara o jornal inglês The Guardian. |