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Karzai oferece
cargos a rivais às vésperas de eleição afegã |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira, 14 de
agosto de 2009
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CABUL Karzai, que lidera
as pesquisas de intenção de voto, disse que, se vencer,
convidará os candidatos Abdullah e Ashraf Ghani, também
ex-membro do seu gabinete, como ministro das Finanças, "para
comer e tomar um chá, e dar-lhes cargos, como fez na última
vez". A menção pouco lisonjeira foi repelida pelos
dois candidatos. "Não sou um candidato étnico, sectário,
e sim um candidato nacional, mas não estou em busca de cargo no
ministério", rejeitou Ghani - que como Karzai e Abdullah é
pashtun, maior grupo étnico do país, com 42% da população
- em entrevista coletiva em sua casa ontem em Cabul. "Vamos esperar
o dia da eleição e ver os resultados", desafiou Sayyid
Agha Hussein, porta-voz de Abdullah. Pesquisa realizada
em meados de julho pelo instituto americano Glevum Associados conferiu
45% das intenções de voto a Karzai, seguido por Abdullah,
com 25%. No total, são 36 candidatos. Se nenhum superar a metade
dos votos, haverá segundo turno seis semanas depois do primeiro.
Karzai governa o Afeganistão desde 2001, quando os Estados Unidos
derrubaram o governo do Taleban, por recusar-se a entregar Osama bin Laden,
depois dos atentados de 11 de setembro. Em 2004, a primeira eleição
presidencial do Afeganistão confirmou Karzai no cargo. Seus críticos
acusam seu governo de corrupção e incompetência. Militantes taleban
em vários pontos do país, sobretudo no sul, onde se concentra
a etnia pashtun, que forma o grosso do movimento, reiteraram ontem as
advertências de que vão sabotar a eleição.
Eles ameaçaram cortar o dedo dos eleitores marcado com a tinta
indelével que indica que a pessoa votou. Panfletos distribuídos
nas ruas e bazares, cartazes colados nas paredes de mesquitas e mensagens
transmitidas por rádios clandestinas ameaçaram os eleitores
com "forte punição". O Taleban afirma ter
preparado 200 suicidas para explodir-se nos locais de votação
no dia da eleição. "Ainda que houver cem explosões,
vamos sair e depositar nossos votos", afirmou ontem Karzai. Abdullah
também desafiou o Taleban ao realizar um comício na quarta-feira
em Kandahar, no sul do país, um dos principais redutos do movimento.
Karzai abriu sua campanha no mês passado na cidade, sob forte esquema
de segurança. Depois disso, evitou aparições públicas,
voltando a expor-se apenas na sexta-feira, num comício no estádio
de futebol de Cabul, onde o Taleban realizava execuções
públicas. As eleições
- que além do presidente vão escolher também deputados
das províncias (prefeitos e governadores são nomeados pelo
presidente) - coincidem com uma escalada dos ataques do Taleban, e com
a reação dos Estados Unidos, que este ano estão duplicando
a sua presença militar no Afeganistão. O número de
soldados americanos, que era 32 mil há um ano, deve chegar a 68
mil até o fim deste ano. Somando-se ao contingente da Organização
do Tratado do Atlântico Norte (Otan), no total há 101 mil
soldados estrangeiros no país. Mas a segurança no dia da
eleição estará a cargo dos 83 mil policiais e 92
mil militares afegãos treinados pelas forças da Otan, que
só intervirão em caso de necessidade, para evitar a imagem
de uma votação tutelada por estrangeiros. As forças da
coalizão que reúne a Otan e os EUA informou ontem que três
de seus militares morreram ontem na explosão de um artefato improvisado,
colocado numa estrada no sul do país, sem fornecer mais detalhes.
Mais de cem soldados da coalizão já morreram desde o início
de julho, o mais sangrento desde a invasão do Afeganistão,
em outubro de 2001. No total, nesse período, foram mortos mais
de 1.300 militares da coalizão. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |