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Luta pelo poder vira guerra tribal |
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| LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo, 30 de junho de
1991
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Ironicamente, o maior obstáculo às negociações rumo a uma democracia multirracial na África do Sul foi erguido pelos negros. O Acordo de Groote Schuur entre o CNA e o governo em agosto provocou a fúria do chefe zulu Mangosuthu Buthelezi, maior aliado negro do regime, e que anunciou que não ficaria "de fora". No mesmo mês, guerreiros zulus provenientes da Província de Natal desembarcaram na cidade-dormitório de Soweto, considerada reduto do CNA cuja maioria integra a etnia cossa. O próprio Mandela é um principe cossa. Desde então, cerca de 1.800 pessoas morreram em batalhas campais, incêndios noturnos de alojamentos rivais e ataques a trens e ônibus. A disputa pelo poder e o loteamento da futura África do Sul ganharam contornos de guerra tribal. A cadeia de vinganças fez a violência fugir do controle do CNA e do Partido da Liberdade Inkatha, de Buthelezi, que afirma ter 2 milhões de militantes. O restrito mercado de trabalho da economia estagnada pelas sanções colabora com a violência. Os zulus são em geral migrantes e trabalhadores temporários. Ao se alojarem em albergues em torno das grandes cidades, são vistos pelos residentes cossas como intrusos. Melhor para a direita branca. Os líderes antirreformistas apontam para os sangrentos distúrbios e asseguram ser esse o retrato fiel de uma eventual África do Sul democrática ou seja, dominada pela maioria negra. A guerra tribal pressiona o programa de reformas de De Klerk não só do lado dos brancos. O CNA rompeu em maio as negociações com o governo acusando-o de não tomar as medidas necessárias para conter a violência. De acordo com a organização, setores das forças de segurança incitam a violência e apóiam as ações do Inkatha. Outro fator de desgate para o movimento antiapartheid e sobretudo para o CNA que, segundo as pesquisas, tem apoio de metade dos negros do país, foi a condenação no mês passado de Winnie, mulher de Nelson Mandela. Num lance chocante, Winnie, a chamada Mãe da África, protetora dos negros, foi condenada a seis anos de prisão, sob acusação de envolvimento no seqüestro de quatro jovens militantes negros, um dos quais acabou morto. Winnie aguarda em liberdade a resposta a uma apelação. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |