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Segregação veio com primeiros colonos |
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| LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo, 30 de junho de
1991
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O conceito de apartheid desenvolvimento separado surgiu na segunda metade da década de 40. Foi utilizado como slogan pelo Partido Nacional (PN) do atual presidente Frederik de Klerk para chegar ao poder nas eleições de 1948. Num momento em que a África do Sul experimentava um dos maiores crescimentos econômicos do mundo, o discurso em favor de uma política econômica e social "adequada a cada setor da sociedade", que na prática mantinha a riqueza nas mãos dos brancos, conquistou essa minoria, cujo voto tem valor majoritário. Desde então o PN mantém a maioria no Parlamento. A noção de superioridade branca que sustenta esse sistema nasceu no entanto com a própria chegada dos primeiros colonos à África do Sul. Os portugueses, que em 1488 dobraram o Cabo da Boa Esperança (hoje Província do Cabo), não se interessaram em explorar a região, por considerá-la pobre em recursos, e seus nativos, "primitivos demais". As primeiras centenas de colonizadores holandeses e ingleses, em meados do século 17, confirmaram essa idéia, e preferiram importar escravos da Índia e de outras regiões da Ásia a conviver com os negros nativos. Depois de séculos de guerras, os africânders (descendentes dos holandeses) conseguiram impor seu domínio, disputado com ingleses, asiáticos, e sobretudo com a maioria negra, que teve etnias inteiras massacradas. A Constituição da primeira República Sul-Africana, em 1857, já estabelecia os princípios da segregação: "O povo não deseja permitir nenhuma igualdade entre pessoas de cor e os habitantes brancos, tanto nos assuntos da Igreja quanto do Estado." A economia e a sociedade sul-africanas sofreram violentas transformações a partir de 1870, quando foram encontradas as primeiras jazidas de ouro e de diamantes ao longo dos rios Orange e Vaal. O trabalho negro crescia em importância, uma vez que o fluxo de imigração de europeus e asiáticos não atendia à demanda. Começaram então a surgir as leis e instituições para garantir que as funções mais bem pagas da indústria de mineração fossem reservadas aos brancos. Os negros ficaram com o trabalho mais pesado e mais barato. Ao longo deste século, o grande esforço da minoria branca consistiu em reverter o movimento dos negros de suas tribos e das terras que lhes eram reservadas em direção aos centros de mineração e às cidades. As três leis que o Parlamento acaba de abolir a da Terra, a dos Grupos de Residência e a do Registro da População representam os pilares do esforço branco para impedir a integração racial. Além disso, em 1959 o então primeiro-ministro Hendrik Verwoerd anunciou a Lei da Promoção da Autonomia Governativa dos Negros, que criou os bantustões, territórios negros vinculados a cada uma das principais etnias. O objetivo era preservar os laços tribais perdidos com a urbanização e conter a integração. Na década de 60, cerca de 3,5 milhões de negros foram transferidos para esses territórios. Em 1970, a estratégia se completava: os negros perderam a cidadania sul-africana, estando cada um vinculado legalmente a um bantustão, embora centenas de milhares já morassem ao redor das grandes cidades. Existem dez bantustões na África do Sul, cuja autonomia ou independência não é reconhecida pela comunidade internacional. Mas a batalha já estava perdida. O próprio governo reconheceu indiretamente os inevitáveis efeitos da industrialização e da urbanização ao editar a Lei dos Municipios Negros Urbanos, que criou em l961 as cidades-dormitório. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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