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Torcida não bota fé nos Bafana Bafana |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira, 15
de junho de 2010
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NKANDLA, África do Sul Ao redor do terminal,
florescem comércio e serviços, como o barbeiro que corta
o cabelo dos clientes ao ar livre e o inyanga, mistura de curandeiro e
vidente, que oferece suas plantas medicinais, peles de animais para ler
a sorte e bandejas de madeira para as oferendas de carne de boi ou cabra
(em homenagem aos ancestrais, mas distribuídas à comunidade).
Essas práticas são chamadas de "muti", que vem
da palavra "árvore" em zulu. Num cartaz, a lista com
a sonora semântica zulu enumera as soluções para males
que vão de sangramentos femininos, hemorróida e impotência
a feitiços e maus olhados. O inyanga Elliot Cebe, de 58 anos, exibe
em sua barraca inúmeros certificados e uma carteirinha da Associação
de Curandeiros Tradicionais. Chamada de "Shembe",
a religião tradicional convive com correntes do protestantismo,
às quais dá um toque messiânico e milagroso. Os fiéis
não evocam deuses diversos nem praticam o animismo, mas recorrem
a seus ancestrais, que podem ser figuras míticas de um passado
remoto ou qualquer antepassado morto, incluindo avós e pais. Eles
funcionam como intermediários de um Deus único, que assume
características cristãs. Nas calçadas,
jaquetas verde-amarelas com o nome "Brazil" são vendidas
a 150 rands (cerca de US$ 20), ao lado de camisetas falsificadas da seleção
sul-africana, com as mesmas cores. Maciçamente desempregados, os
transeuntes olham sem comprar, e matam o tempo jogando dados - um sustento
para alguns - e falando de futebol. Ao repórter brasileiro, todos
perguntam por que Ronaldinho não foi convocado. A maioria nunca
ouviu falar de Ganso e Neimar e não sabe que a polêmica no
Brasil foi outra. À pergunta
sobre quem joga melhor - zulus ou cossas -, eles se esquivam. Há
vários zulus na seleção. O melhor deles, consideram,
é Siyabonga Nomvethe, que ficou no banco na partida de sexta-feira
contra o México. "Eu não diria que os zulus jogam melhor,
mas diria os negros", afirma Nkululeka Ntompela, de 25 anos, professor
de crianças deficientes e treinador do time de várzea de
Nkandla. "Eu acho que os brancos jogam melhor", avalia Simoserkos
Sbiya, de 15 anos, que joga como goleiro, está na sétima
série e quer ser policial quando crescer. Eles não nutrem
grandes esperanças em relação aos Bafana Bafana.
"Se chegarem à segunda fase, já estou feliz",
diz o segurança Phumlani Ngubane, de 33 anos. "Queria que
chegassem à semifinal, mas é um caminho longo demais." |
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