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Portugueses, como outros brancos, deixam o país |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira, 29
de junho de 2010
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DURBAN António Araújo,
de 62 anos, veio há 44 da Ilha da Madeira, como boa parte dos cerca
de 12 mil portugueses que vivem na província de Kwazulu-Natal,
da qual Durban é a capital. Araújo tornou-se um empresário
bem-sucedido na África do Sul, dono de uma distribuidora de costelas
embaladas a vácuo, que ele fornece para supermercados. Já
os seus três filhos foram buscar oportunidades fora. O mais velho, de 33
anos, e a mais nova, de 27, trabalham em Londres, como contador e como
consultora de sistemas, respectivamente. O do meio, de 30 anos, também
contador, trabalhou quatro meses em Londres e um ano e meio nas Bermudas,
antes de se casar em Durban e voltar para a cidade. "Quando terminou
o apartheid, muitos jovens de origem européia fugiram porque não
havia trabalho", constata Araújo. "O governo tem preferência
pelo negro, mesmo que não seja qualificado." O engenheiro civil
António Cipriano, de 38 anos, e dois de seus primos estavam na
idade de servir o Exército quando o apartheid chegava ao fim. Até
então, o serviço militar era obrigatório para os
brancos, enquanto que os negros, mulatos, indianos e asiáticos
estavam excluídos das Forças Armadas. Cipriano entrou na
universidade, o que lhe permitia não servir o Exército.
Já seus dois primos foram para Portugal e ficaram lá dois
anos, até passar da idade do serviço militar. O que afligia
os jovens brancos era a passagem do comando das Forças Armadas
para a maioria negra. "Eles ficaram com medo de ir para a tropa",
lembra Cipriano. "A pergunta que faziam na época era: 'Vamos
defender quem?'" Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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