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Só 7 anciãos ainda dominam a língua !nu |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo, 27
de junho de 2010
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ANDRIESVALE, África do Sul Os moradores da vila
riem de sua franqueza: "Estou com fome. Não comi nada hoje.
Só vou falar com vocês se me trouxerem comida." Depois
de outras visitas, a equipe volta à noite, com mantimentos comprados
numa venda da vila. !una está se aquecendo ao lado de uma fogueira,
dentro de uma cabana de palha, com mulheres mais jovens e crianças.
Diante da promessa cumprida, aceita falar. "Naquele tempo,
vivíamos da natureza e não havia sofrimento", começa
!nu, falando de sua infância.Suas cabanas eram como as de hoje,
de teto de palha de capim e paredes de madeira. Ela diz que havia muito
mais árvores, e não só pequenas, como as da savana
de hoje. Só havia alguns brancos, policiais. "Todo o resto
eram bosquímanos." O Kalahari Transfrontier Park, a reserva
de safári binacional criada em 1933 que atravessa da África
do Sul a Botsuana, ainda estava se formando. "Era tudo terra dos
bosquímanos." Sobre a sua religião,
!nu é sintética: "Acreditávamos na natureza."
Os bosquímanos faziam rituais de cura, ao redor do fogo. Os homens
dançavam. As mulheres cantavam e batiam palmas. Os doentes ficavam
deitados ao redor. Os anciãos punham o nariz e a boca no lugar
que doía, sugavam o sangue e cuspiam no bosque. "Mas quem
curava eram os homens pequenos do campo", explica !una, indicando
com a mão a altura desses personagens: em torno de 1,2 metro. "Nós
não podíamos vê-los, mas sentíamos sua presença
no bosque, ao nosso redor." Era proibido sair
caminhando nas noites de rituais, para não ver os pigmeus. Uma
vez, uma moça desobedeceu e foi até uma das dunas de areia
vermelha do deserto. Um pigmeu jogou um veneno no olho dela. Foi salva
da cegueira por um ritual de cura. Os bosquímanos
faziam também a dança da chuva - e chovia mesmo, garante
!una. Em 1936, um inglês chamado Donald Baines passou com um caminhão
e levou um grupo de bosquímanos, incluindo !una, então com
5 anos, para fazer apresentações de dança da chuva
em Johannesburgo, Cidade do Cabo e Durban. Ficaram de três a quatro
meses fora. Quando voltaram, os mulatos, descendentes de negras com holandeses,
chamados de "bastardos", tinham queimado as casas dos bosquímanos.
Eles se espalharam. !una e sua família foram morar primeiro numa
caverna, depois numa fazenda de brancos que lhes deram comida, a 10 km
de Andriesvale. "Ficamos muito tempo nessa fazenda, e depois nos
mudamos para outra, a 60 km de distância." Foi então
que !una e seus parentes aprenderam africâner. Começava a
história de assimilação dos bosquímanos da
região. À pergunta
sobre quem causava mais problemas para eles - brancos, negros ou bastardos
-, !una responde: "Os bastardos e os bôeres (descendentes e
holandeses). Não havia negros naquela época." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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