|
Cosmopolita, Durban
fala também português |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira, 25
de junho de 2010
|
|
DURBAN Depois do fim do apartheid, ela ganhou o nome Ethekwini - "baía", em zulu, e "ponto de encontro", em cossa, as duas línguas majoritárias dos negros sul-africanos. Cada nome de Durban representa uma camada de sua história e de sua extraordinária diversidade. Os ingleses trouxeram os indianos para trabalhar nos engenhos de açúcar - aos quais os zulus não se adaptaram - e, com eles, o hinduísmo e o islamismo. Os portugueses vieram para a África do Sul a partir da década de 1850. Chegaram a 1 milhão
em todo o país. Hoje são cerca de 500 mil. Eles se concentram
em Johannesburgo e na Cidade do Cabo. Na província de Kwazulu-Natal,
da qual Durban é a capital, há cerca de 12 mil, calcula
a cônsul de Portugal na cidade, Maria do Carmo Ferreira. "Que seja um
bom jogo, que Portugal vença de 2 a 1 ou que seja empate",
desejou Elias de Sousa, que assumirá o cargo de cônsul honorário
em 1º de agosto, quando o consulado diplomático será
desativado, como parte de cortes de gastos pelo governo português.
Como muitos portugueses de Durban, Sousa vai hoje ao Estádio Moses
Mabhida. "O mais importante é que os dois times se classifiquem",
disse Sousa ao repórter brasileiro, já exercitando seus
dons diplomáticos. Na verdade, os portugueses
em Durban estão acostumados a torcer para o Brasil - quando não
joga contra Portugal, claro. E não só os portugueses. Mesmo
antes da eliminação de sua seleção, muitos
sul-africanos levavam nos carros a bandeira do Brasil ao lado da África
do Sul. E reclamam da não-vinda de Ronaldinho Gaúcho com
a autoridade de torcedores. No salão paroquial
ontem à noite, ao lado das bandeiras portuguesa e sul-africana
havia uma do Brasil, colocada pelo pároco José Alton, de
34 anos, que é de São Paulo. "Procuro sempre transmitir
que são dois países irmãos", disse Alton, cuja
ordem, a Sociedade Missionária São Patrício, da Irlanda,
enviou-o para a África do Sul há cinco anos. "Espero
que a partida tenha esse espírito de irmandade." Há
poucos brasileiros morando em Durban. O padre conhece uma família
e mais alguns jovens casados com sul-africanos. Mas um consulado itinerante
do Brasil em Durban, montado para assistir aos brasileiros no período
da Copa, estima que 10 mil tenham vindo ver a partida. O Brasil também
está em casa. Em Durban, qualquer um pode estar. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |