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'Nem
sempre se consegue o que se quer' |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo, 19 de outubro
de 2003
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LA PAZ - A euforia da véspera,
com a renúncia de Gonzalo Sánchez de Lozada, deu lugar a
um clima de sobriedade e até de introspecção entre
os manifestantes em La Paz. Enquanto a cidade renascia, com o comércio
abrindo e os carros voltando a circular, depois de uma semana de paralisia,
isolamento e distúrbios violentos, os mineiros, camponeses e estudantes
que vieram de longe para exigir a saída do presidente avaliavam
o seu triunfo e se preparavam para a viagem de volta. "Queremos uma democracia mais direta,
com participação popular, precisamos de uma Assembléia
Constituinte para dar mais transparência à política",
explicou o estudante. É uma formulação teórica,
mas exprime um desejo que embalou os cerca de 200 mil manifestantes que
se reuniram em La Paz na quinta e sexta-feira. A maioria dos bolivianos
acha que as decisões do governo têm sido fruto de negociatas
escusas. "Estou muito tranqüila, só
triste pelos nossos mortos", lamentou Epifania Ancari Vilca, de 53
anos, que trabalha na mina de estanho de Guanuni, na região de
Oruro, e também veio caminhando junto com 2.500 mineiros. O grupo
foi contido pelas forças de segurança na quarta-feira em
Patacamaya, 100 quilômetros a sudeste de La Paz. No confronto, dois
mineiros morreram e 14 pessoas ficaram feridas. "Nos atacaram quando
estávamos almoçando", testemunha Epifania. "Estamos com a moral baixa, por causa
da baixa de nossos companheiros", confirmou o mineiro Leonard Fábrica,
em linguagem mais militante. O grupo saiu da região de Oruro na
terça-feira e só conseguiu chegar a La Paz na noite de sexta,
por causa do confronto e dos bloqueios do Exército - e dos próprios
manifestantes - nas estradas. Os manifestantes formavam ontem pequenas
aglomerações em La Paz, decidindo, em assembléias,
como e quando voltariam para suas cidades. O presidente Carlos Mesa subiu
até El Alto, a 15 quilômetros de La Paz, ponto nevrálgico
das manifestações, para render homenagem aos mortos. A estrada principal até El Alto, onde
fica o aeroporto de La Paz, estava sendo desbloqueada ontem, com a retirada
das barricadas de pedras e de dois vagões de um trem atingido por
uma explosão na quarta-feira. Os vôos comerciais para La
Paz, interrompidos havia uma semana, estavam sendo retomados ontem. As
demais estradas do país também estavam sendo desbloqueadas.
La Paz voltou a ser abastecida de alimentos
e combustíveis. Durante todo o dia, um helicóptero transportou
alimentos para as feiras e mercados da cidade, fechados desde o fim de
semana passado. Os moradores de La Paz saíram às ruas logo
cedo, para comprar suprimentos e olhar o estado de sua cidade, coberta
de lixo, que também não era recolhido havia uma semana. |
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