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Mesa
nomeia gabinete técnico, com dois indígenas |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira, 20 de outubro
de 2003
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LA PAZ - O novo presidente da Bolívia, Carlos Mesa, anunciou ontem à noite a composição de seu gabinete, predominantemente técnico, como havia prometido. Entre as novidades, está a nomeação de dois ministros de origem indígena: o dos Assuntos Indígenas e Povos Originários, Justo Seoani, e o da Educação, Donato Aima Rojas. Outro tema candente no governo anterior também ganhou uma pasta: a da delegada presidencial anticorrupção, Guadalupe Cajías, que era assessora de Mesa. Para o delicado cargo de ministro da Defesa,
foi nomeado o general Gonzalo Arredondo Pilar, comandante do Exército
no governo do general Hugo Bánzer (1998-2000). Mesa rompeu na segunda-feira
com o governo de Sánchez de Lozada em repúdio à violência
com que as forças de segurança reprimiram os manifestantes
que exigiam a sua renúncia, resultando na morte de cerca de 70
pessoas em seis semanas de distúrbios. Dos 15 nomes anunciados ontem, o único
que já havia integrado um gabinete é o novo ministro do
Desenvolvimento Econômico, Javier Nogales, que chefiou a pasta da
Habitação no governo de Jorge Quiroga (2000-02) e presidiu
o Banco Central no de Hernán Siles Suazo (1960-64). Mas Nogales
é tido como "independente". Já o novo ministro
da Fazenda, Javier Gonzalo Arguedas, é um desconhecido da imprensa
boliviana. "É a primeira vez que temos um
governo sem partidos", disse Mesa, historiador e jornalista eleito
vice-presidente na chapa de Sánchez de Lozada em julho do ano passado.
"Não ignoro a importância dos partidos para a democracia,
mas é preciso reconhecer a crise dos partidos, não só
com o Estado, mas com a sociedade." Apelando por apoio no Congresso,
Mesa dramatizou: "Estamos jogando com a vida e o destino da pátria." O presidente do Senado, Hormando Vaca Diez,
do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), defendeu a permanência
de Mesa até o fim do mandato, em agosto de 2007. Ao tomar posse,
no fim da noite de sexta-feira, Mesa anunciou que conduziria um governo
de transição, com a convocação de Assembléia
Constituinte e de nova eleição. "O país não
agüenta passar por novas eleições", disse o senador.
"O Congresso tem de apoiar o presidente." "Vamos dar apoio à continuidade
do regime democrático", garantiu Manfred Reyes Villa, líder
da Nova Força Republicana, que detém 25 das 130 cadeiras
na Câmara dos Deputados. "Para isso, não necessitamos
estar no governo." Reyes Villa deixou a coalizão horas antes
da renúncia de Sánchez de Lozada, na sexta-feira, acabando,
assim, com a sua maioria de dois terços no Congresso. O único ministro com forte passado
de militância partidária é o do Governo, Alfonso Ferrufino
Valderrama, que foi deputado pelo MIR entre 1982 e 85. Ferrufino deixou
o MIR e ajudou a fundar o Movimento Bolívia Livre. Ultimamente,
vinha trabalhando em estudos sobre reformas da Constituição
na equipe de Mesa, na vice-presidência. O novo ministro da presidência, José
Galindo, um empresário de Cochabamba, também já trabalhava
na equipe de Mesa, no cargo de secretário-geral da vice-presidência.
A essa equipe também pertenceu o novo ministro do Desenvolvimento
Sustentável, Jorge Cortez Rodríguez. "As relações com o Brasil
vão ter uma importância extraordinária", disse
o presidente, numa rápida entrevista depois da posse dos ministros.
"O presidente Lula me expressou total apoio", acrescentou Mesa,
que conversou com o presidente brasileiro pelo telefone. "O Brasil
pode nos dar uma mão ainda maior do que nos deu até agora."
O único ministro não definido
foi o das Minas e Combustíveis. "Peço paciência
aos bolivianos, mas não levará muito tempo", garantiu
Mesa. Essa á uma pasta-chave, já que o estopim dos distúrbios
que levaram à renúncia de Sánchez de Lozada foi sua
decisão de usar o porto chileno de Iquique para exportar gás
natural para a Califórnia. Os bolivianos perderam a saída
para o mar numa guerra contra o Chile, no século 19, e até
hoje não perdoaram os vizinhos. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |