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Jornalistas
usam bicicletas para driblar bloqueios |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira, 15 de outubro
de 2003
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LA PAZ - Talvez o que mais chamasse a atenção no centro de La Paz, ontem à tarde, fosse o silêncio. A multidão nas ruas, com a feição marcadamente indígena dos camponeses e vendedores ambulantes, apenas se entreolhava, enquanto retocava suas barricadas com novas pedras e esperava o desfecho das negociações na residência presidencial. Vários prédios antigos estão em ruínas no centro histórico, castigado por depredações e incêndios. Todas as lojas e escritórios estavam fechados ontem, com exceção de uma farmácia. E de alguns camelôs, que não tinham para quem vender seus biscoitos, doces, pilhas, canetas, etc. Somente veículos militares circulam
pelas ruas. Os vôos regulares para La Paz estão cancelados.
As estradas de acesso à cidade estão bloqueadas pelas barricadas,
incluindo a que a liga a El Alto, onde fica o aeroporto. Meninos jogavam
bola ontem nessa estrada, enquanto os adultos que moram nas favelas à
sua margem caminhavam placidamente, como se estivessem num calçadão. Finalmente em La Paz, a reação
dos poucos hóspedes do hotel foi de incredulidade. Para aqueles
que querem deixar a cidade, no entanto, a solução não
se aplica: é impossível vencer a subida em direção
ao aeroporto com um carona ou bagagens na garupa. Os moradores de El Alto
voltam empurrando as bicicletas. Uma vez aqui, é preciso ficar. |
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