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SANTA CRUZ DE LA SIERRA - Durou uma
tarde o esforço de diálogo entre o governo boliviano e a
oposição e representantes dos chamados movimentos sociais.
Às 20h locais (21h em Brasília), o líder cocaleiro
Evo Morales, dirigente do Movimento ao Socialismo (MAS), e o secretário-executivo
da Central Operária Boliviana (COB), Jaime Solares, saíram
do Palácio Quemado, sede da presidência, anunciando que vão
intensificar ainda mais os bloqueios de estradas. "Agora é
para valer", disse Morales. "Vamos com tudo nos bloqueios."
O motivo do fracasso da reunião é que o presidente Carlos
Mesa não aceita o aumento de 18% para 50% da cobrança de
royalties sobre a produção de gás natural e de petróleo.
E Morales não abre mão dessa cobrança. Entretanto,
alguns deputados do próprio MAS concordaram ontem na Câmara,
onde tramita o projeto de lei, com uma solução intermediária,
pela qual se cobrariam, além dos atuais 18% de royalties, impostos
diretamente sobre "o primeiro ponto de fiscalização",
em seguida à extração dos combustíveis. "Se
não aprovarmos os royalties de 50%, aprovaremos essa", disse
o deputado Manuel Morales Davila, do MAS. O debate continuará na
terça-feira.
O diálogo foi precedido de duas concessões do presidente:
um pedido público de desculpas pelo virulento discurso de domingo,
no qual acusou o líder cocaleiro de "bloquear a Bolívia"
e apresentou seu pedido de renúncia, rejeitado na terça-feira
pelo Congresso depois de um acordo com os outros partidos; e a aceitação
da presença de outros líderes dos setores sociais, sem representação
no Congresso.
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