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País perde
US$ 13 milhões por dia com bloqueios |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira, 11 de março
de 2005
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SANTA CRUZ DE LA
SIERRA - Por
cada dia de bloqueios de estradas, a Bolívia perde US$ 13,8 milhões
em produção de bens e serviços. O governo deixa de
arrecadar US$ 2,8 milhões. Em janeiro, quando foram registrados
340 "eventos conflitivos" no país, as exportações
caíram 10,31% - ou US$ 17,1 milhões - em comparação
com o mesmo mês no ano passado. Antes, elas vinham num crescendo.
De janeiro de 2003 para janeiro de 2004, as exportações
aumentaram 51,53%. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento
Econômico. No agronegócio,
a queda das exportações foi de 40,79%. Em janeiro de 2004,
a Bolívia exportou US$ 59 milhões em soja e derivados; no
mesmo mês deste ano, foram US$ 35 milhões. Produtos perecíveis,
como banana e abacaxi, que estão em época de colheita, são
os que mais sofrem com os constantes bloqueios de estradas. A irregularidade
nas entregas faz os produtores perderem clientes. O vice-ministro da
Indústria, Comércio e Exportações, Gonzalo
Melina, advertiu ontem para o "desprestígio internacional"
da Bolívia como candidata a "corredor bioceânico"
do Brasil para o Pacífico. "Para o Brasil, não é
viável vir pela Bolívia", disse ele. Em El Alto, foco constante
de bloqueios e protestos, a 15 quilômetros de La Paz, o Ministério
do Desenvolvimento estima que 70 empresas possam fechar as portas ou se
transferir este ano, em razão do clima de insegurança. No
ano passado, El Alto perdeu mais de 60 empresas. Os pontos de bloqueios
em todo o país diminuíram de 30 na quarta-feira, para 24
ontem, segundo a polícia. Milhares de pessoas se reuniram ontem
ao meio-dia nas praças das principais cidades, atendendo a convocação
do presidente Carlos Mesa para se manifestarem contra os bloqueios. "Vamos
ganhar dos que querem a violência com a mão da Justiça,
que é implacável com os que violam a lei", discursou
Mesa, da sacada do Palácio Quemado, no centro de La Paz. O comandante da Polícia
Nacional, general David Aramayo, declarou que as forças de segurança
estão prontas para entrar em ação. "Dependemos
de uma ordem do governo", afirmou ele. O presidente quer evitar derramamento
de sangue. O vice-ministro da Justiça, Carlos Alarcón, firmou
uma resolução na quarta-feira determinando que o Ministério
Público entre com ações na Justiça contra
o que violam o direito de "livre trânsito". A principal reivindicação
dos manifestantes é o aumento de 18% para 50% na cobrança
de royalties sobre a exploração de gás natural, que
soma US$ 1,5 bilhão ao ano. A proposta está em tramitação
no Congresso. O presidente é contra a elevação dos
royalties, que na sua opinião afugentaria os investimentos estrangeiros.
Só a Petrobrás extrai cerca de US$ 540 milhões em
gás por ano da Bolívia. O
governo propõe que os restantes 32% sejam cobrados na forma de
impostos. O principal líder da oposição, Evo Morales,
dirigente do Movimento ao Socialismo, qualificou a proposta de "enrolação".
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