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Morales reencontra cocaleiros |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado, 28 de janeiro
de 2006
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LA PAZ No Vice-Ministério
de Desenvolvimento Alternativo, que cuida da área, não se
tinha idéia ontem do teor de um eventual anúncio do presidente.
"Não sabemos nem quem será o novo vice-ministro da
área", disse ao Estado uma funcionária. O que se sabe
é que muitas coisas vão mudar, a começar pelo nome
do órgão, que pode ser rebatizado como Vice-Ministério
da Coca, denotando a mudança de enfoque, da substituição
do cultivo da folha por produtos alternativos, para a promoção
oficial da coca, como cultura tradicional indígena. A simples eleição
de Morales, no dia 18 de dezembro, já teve efeitos práticos
sobre a política de erradicação. Este mês,
foram destruídos apenas 6 hectares de plantação de
coca no Chapare, em comparação com 361 em janeiro de 2005.
Em todo o ano, foram 6.073 hectares. O trabalho, que já vinha bem
mais devagar, foi suspenso na segunda-feira, depois de um confronto entre
a força-tarefa de erradicação e cocaleiros, que exigiram
que as autoridades o interrompessem, alegando que a política do
governo ia mudar. Pela lei em vigor,
datada de 1988, só pode ser cultivada a folha de coca numa área
de 12 mil hectares no Vale dos Yungas, no leste do Departamento de La
Paz. A folha de coca dessa região é considerada apropriada
para mascar, por ser mais doce e fina. A lei prevê que essa permissão
dure até que um levantamento - que nunca foi feito - estabeleça
a área de cultivo necessária para atender à demanda
de toda a população que tem o hábito de mascar folha
de coca na Bolívia. Acordo firmado em
2004 pelo então presidente Carlos Mesa permite também o
cultivo de 3.200 hectares no Chapare, onde a coca contém mais alcalóides
e por isso é considerada predominantemente como matéria-prima
da cocaína. Pelo acordo, cada família teria direito a plantar
uma área de 1.600 metros quadrados, chamada de "cato".
Os sindicalistas reivindicam que o acordo seja cumprido integralmente,
beneficiando as 23 mil famílias de cocaleiros no Chapare. Imagens
de satélite mostram que há cerca de 10 mil hectares de plantações
de coca no Chapare, o que significa que 6.800 são ilegais. Embora
uma área próxima a essa seja erradicada anualmente, os cocaleiros
conseguem repô-la todos os anos. De acordo com uma
fonte do vice-ministério, no entanto, os 12 mil hectares dos Yungas
já eram excessivos para o consumo tradicional, com parte da colheita
indo para a produção de cocaína. Na Bolívia,
em geral, é produzida, de forma caseira, apenas a pasta-base, embora
tenham sido encontrados pequenos laboratórios de refino de cocaína
em casas em El Alto, a 15 quilômetros de La Paz. Dos mais de 40
insumos químicos usados no refino, cerca de cinco apenas são
produzidos na Bolívia. Normalmente, a pasta é transportada
para laboratórios em países vizinhos, como a Colômbia,
o Peru e o Brasil, onde o sulfato-base é transformado no cloridrato
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