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Programa serve de âncora de popularidade |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
9 de outubro de 2005
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O cruzamento de
várias pesquisas de opinião sugere que os programas sociais
do governo federal e o Bolsa Família em particular têm servido
de âncora para a popularidade do presidente Lula. Na última
pesquisa do Ibope, feita em setembro, a região que deu o maior
índice de aprovação ao governo Lula - 56% - foi o
Nordeste, que absorve quase metade dos recursos do Bolsa Família:
49,2%. Das 13,999 milhões de famílias que vivem no Nordeste,
3,705 milhões, ou 26%, recebem o Bolsa Família. As regiões
Norte e Centro-Oeste ficam em segundo lugar tanto em aprovação
do governo Lula quanto em proporção de atendimento das famílias.
Nessas duas regiões, 50% aprovam o governo Lula e 14% das famílias
recebem o benefício. Sudeste e Sul têm os menores índices
de aprovação do governo e de atendimento das famílias
(ver gráfico). Os dados são
coerentes com o grau de satisfação em relação
ao combate à fome e à pobreza nas diversas regiões.
No Nordeste, a aprovação do desempenho do governo nesse
quesito é ainda maior do que a sua aprovação no geral:
60%. A fatia de aprovação cai para 37% no Sul e 35% no Sudeste.
No Norte/Centro Oeste, é de 45%, o mesmo índice da desaprovação.
Não é um mau resultado, considerando que o próprio
governo reconhece que o atendimento das famílias pobres no Norte
está muito aquém do desejável, devido às distâncias
e dificuldades de transportes na região. Pesquisa feita em
dezembro pelo Instituto Sensus, com as cinco regiões separadas,
reflete a maior satisfação no Centro-Oeste que no Norte.
No Centro-Oeste, 62,8% dos entrevistados disseram que os programas sociais
do governo "são positivos e ajudam", enquanto no Norte
esse índice cai para 52,6%. O campeão de satisfação,
mais uma vez, foi o Nordeste, com 65,4%. Sul e Sudeste, como sempre, ficaram
abaixo, com 45,3% e 49,9%, respectivamente. O relativo sucesso
dos programas sociais pode ser medido também pelo fato de que as
camadas da população com renda mais baixa e menor grau de
instrução, que afinal representam o público-alvo
dos programas sociais do governo, são exatamente as que mais os
aprovam. Dos entrevistados sem instrução ou só com
o primário, 61,0% responderam ao Sensus que esses programas "são
positivos e ajudam", enquanto apenas 35,4% dos que têm nível
superior assinalaram essa opção. Dos que têm renda
familiar de até 1 salário mínimo, 60,0% deram essa
resposta; acima de 20 salários, 27,8%. Na pesquisa do Ibope,
dos que têm renda familiar de até 1 salário mínimo,
49% aprovam "a atuação do governo no combate à
fome e à pobreza"; de 1 a 2, 48%. Nessas duas faixas, a fatia
dos que aprovam é maior do que a dos que desaprovam. Nas faixas
seguintes, a relação se inverte, de forma crescente. Como se sabe, a aprovação
do governo Lula como um todo também está ancorada nos mais
pobres e menos instruídos. Somente entre os que têm renda
familiar de até um salário mínimo é que a
aprovação do governo supera a desaprovação:
54%. Na faixa de 1 a 2 salários mínimos, a aprovação
é de 45%, e vai caindo continuamente, até chegar a 37%,
entre os que têm renda familiar superior a 10 salários mínimos. As três sucessivas
derrotas de Lula à presidência, em 1989, 1994 e 1998, se
deveram, em grande medida, à sua dificuldade de conquistar as camadas
mais pobres e menos instruídas. Defeito fatal, num país
pobre e pouco instruído. Em 2002, Lula superou esse problema, e
teve uma votação homogênea ao longo do espectro social.
À medida que desencanta os mais instruídos e os de melhor
renda - incluindo uma classe média intelectualizada que antes o
paparicava -, Lula precisa ampliar seu apoio entre os mais pobres, para
se viabilizar em 2006. É essa a missão do Bolsa Família
e dos outros programas de renda mínima. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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