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Jobim
seguiu normas da Mesa Diretora da Câmara |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sábado,
17 de setembro de 2005
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Goste-se ou não, tudo o que o ministro Nelson Jobim mandou a Mesa Diretora da Câmara fazer foi cumprir suas próprias regras. Ato baixado pela Mesa no dia 5 de junho de 2003 regulamentou assim os procedimentos em caso de cassação: Quaisquer representações relacionadas com o decoro parlamentar são remetidas ao corregedor para exame. Recebido o expediente encaminhado pelo presidente, o corregedor remeterá cópia ao deputado a que o mesmo se refira, consignando-lhe o prazo de cinco sessões para se manifestar. Isso não foi feito, seis deputados petistas entraram no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir esse direito e ganharam a liminar. Vejo a decisão como preocupação de evitar que, se alguém vier a ser cassado, possa alegar cerceamento de defesa, diz o deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), jurista, ex-ministro da Justiça. O ministro Nelson Jobim tomou a cautela de exaurir direito de defesa baseado em decisão da Mesa da Câmara. Relator da CPI do Mensalão, Abi-Ackel não vê interferência de um poder em outro: Decisão judicial cumpre-se. Para o presidente da Associação de Juízes Federais, Jorge Maurique, o STF está no seu papel. Jobim seguiu o regimento interno da Câmara, diz ele. O representado tem que ser intimado para se manifestar. Segundo Maurique, o Judiciário não pode entrar no mérito sobre se um deputado deve ser cassado ou não, mas pode controlar se foi seguido o devido processo legal. Essa é também a opinião do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello. Se existem normas regulando a cassação, elas devem ser seguidas, diz, ressalvando que não conhecia o teor da decisão. De acordo com ele, não importa se essas normas pertencem a um regimento interno de outro Poder. No Estado de Direito, todas as normas, desde que corretamente exaradas, têm de ser cumpridas, argumenta. O Judiciário não pode dizer: isso é assunto dos outros. Para Bandeira de Mello, é reacionária a tese segundo a qual numa determinada instituição se possa fazer o que se quiser, sem que o Judiciário possa julgá-lo. Independência é outro assunto.cBandeira de Mello não é exatamente um fã de Jobim. Para ele, muito da desconfiança que paira sobre o Judiciário está no fato de o presidente do STF dar palpite em tudo. Ele não nasceu para ser juiz, não tem cacoete de juiz, critica Bandeira de Mello. GANHAR TEMPO Na medida em que a poeira da decisão de Jobim assenta, sedimenta-se, na oposição, a convicção de que, mais do que distração ou incompetência, a decisão foi um serviço. É para ganhar tempo, para distrair, suspeita o presidente do PDT, Carlos Lupi. A Mesa não
vai esperar o julgamento do mérito do mandado de segurança
pelo STF. Revogou a decisão anterior e resolveu abrir prazo para
todos os 17 deputados apresentarem suas defesas. Mas a oposição
vai tentar, semana que vem, provocar uma reviravolta na questão.
PDT, PPS e PV e quem mais quiser se juntar vão apresentar
na semana que
vem uma representação direta contra cada um dos deputados
em processo
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