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Tempos
melhores que vieram com o dendê |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
12 de março de 2006
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MOJU, PARÁ Há cerca de três anos, a Agropalma, que cultiva e beneficia dendê nos municípios de Moju e Tailândia (a 130 quilômetros de Belém, no Pará), ofereceu a 150 famílias a chance de uma parceria. Elas foram assentadas em lotes de 10 hectares do Estado, receberam da empresa mudas de dendê, adubo, agrotóxicos e assistência técnica, além de um salário mínimo por mês do Banco da Amazônia durante cerca de dois anos e meio, que é o tempo que a palmeira leva para dar os primeiros cachos. Com exceção
dos lotes, tudo será pago pelos agricultores com a própria
produção, em parcelas descontadas do dinheiro que recebem
mensalmente no banco. Toda a produção é comprada
pela Agropalma. MELHORIAS Desde meados
do ano passado, quando começou a colher dendê e vender para
a Agropalma, as coisas mudaram para Batista. Em fevereiro, por exemplo,
ele recebeu R$ 1.480, já descontadas as parcelas da Agropalma e
do Banco da Amazônia. "Depois que peguei esse trabalho, para
mim melhorou bastante", alegra-se Batista. "Aqui,
estou garantido", diz José Moreira, de 50 anos, que acaba
de plantar 6 hectares de mudas, no lote de 50 hectares que comprou por
R$ 18 mil no Assentamento Calmaria 2, do Incra, onde cerca de 40 famílias
também fizeram parceria com a Agropalma. "A parte
gerencial e econômica vai bem", atesta Manoel Libório
Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Moju. Mas
ele aponta alguns problemas: a monocultura, que gera dependência
da Agropalma e do preço internacional; os posseiros tiveram de
sair de seus lotes para ocupar áreas contíguas; a área
fixa para plantar, de 10 hectares, pode ser pequena para uns e grande
para outros, dependendo do tamanho de cada família; a empresa fornece
equipamento de proteção para aplicar agrotóxicos,
e orienta sobre como usá-lo, mas os agricultores não têm
consciência dos riscos, e se expõem. "São os problemas do desenvolvimento", constata o sindicalista Libório. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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