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Bush
vem ao Brasil costurar firmar parceria sobre etanol |
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| LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
28 de janeiro de 2007
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As provocações de Hugo Chávez - que chegou a chamar o presidente George W. Bush de diabo na última Assembléia Geral da ONU - têm merecido o silêncio da Casa Branca. Mas a resposta virá em breve. E o Brasil estará no centro dela. Ao desembarcarem em Brasília, no dia 7, o subsecretário de Estado para assuntos políticos, Nicholas Burns, e o subsecretário para o Hemisfério, Thomas Shannon, trarão uma proposta de parceria estratégica entre os Estados Unidos e o Brasil, para a produção e comercialização de etanol e biodiesel. O plano tem como objetivo reduzir a dependência do petróleo - e de regimes que se financiam com ele, como o de Chávez. É a concretização do objetivo anunciado por Bush em seu discurso sobre o Estado da União, na terça-feira. Nele, o presidente americano propôs reduzir em 20% o consumo de gasolina nos próximos dez anos nos Estados Unidos , de modo a diminuir a dependência do petróleo e a emissão de gás carbônico. Durante demasiado tempo, nossa nação tem dependido do petróleo estrangeiro, disse Bush. Isso nos deixa mais vulneráveis a regimes hostis. Cerca de 15% do petróleo consumido nos EUA vem da Venezuela. Em contrapartida, 42% do petróleo exportado pela Venezuela destina-se ao mercado americano. Em termos porcentuais, portanto, a dependência venezuelana é maior ainda que a americana. Juntos, Brasil e Estados Unidos respondem por 70% a 80% do etanol produzido no mundo. O sentido principal da parceria é obviamente econômico. Mas um de seus efeitos colaterais será o de sublinhar o contraste entre Brasil e Venezuela nas relações com os Estados Unidos. Em seu último evento público como representante do Brasil em Washington, o embaixador Roberto Abdenur declarou, no dia 17, num simpósio do Instituto Brasil do Woodrow Wilson Center: O Brasil e os Estados Unidos não podem ter temor de falar em parceria. Burns, número 3 do Departamento de Estado, se reunirá com o seu equivalente no Itamaraty, Antônio de Aguiar Patriota, que assume em março a embaixada do Brasil em Washington. Ainda neste semestre, provavelmente em abril, Lula visitará Bush. Apesar dos freqüentes - e, para os americanos, incompreensíveis - afagos de Lula a Chávez, o governo Bush não confunde os dois presidentes. O governo dos EUA aprecia o fato de que o Brasil esteja buscando políticas muito mais moderadas, orientadas para o mercado e menos agressivas, diz Peter Hakim, presidente do Diálogo Inter-Americano, um centro de estudos sobre a região. Mas se sente frustrado porque o Brasil parece entusiasmado demais em desenvolver relações estreitas com Chávez e com freqüentes imagens de Lula abraçando e louvando Chávez. Segundo Hakim, não se sabe se isso é expressão de fraqueza ou de erro de julgamento, falta de compreensão do perigo que Chávez representa. O fato é que, para os EUA, Lula deveria impor-se mais sobre Chávez, assim como o Brasil deveria exercer mais liderança no Mercosul. Em princípio, o diálogo entre Lula e Chávez é visto mais como benéfico do que como prejudicial por Anthony Harrington, ex-embaixador dos EUA em Brasília. Claro que, dependendo dos acontecimentos, pode chegar um tempo em que o Brasil terá de ser mais firme na defesa de seus interesses e valores democráticos, pondera o diplomata. O ressurgimento e expansão do populismo em partes da América do Sul, exemplificado pelo presidente Chávez, complica potencialmente o exercício crescente da liderança positiva do Brasil na região. Já complicou, a julgar pelo crescente descolamento entre a retórica e os interesses reais, tanto de Lula quanto de Chávez. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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