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Envolvidos em escândalo
estão em melhores condições que as vítimas |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
8 de março de 2009
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PORTO FERREIRA A menina está
bem de saúde; T.O., não. Ela sente fortes dores na coluna,
e uma pressão no estômago que a faz vomitar. "Acho que
foi porque minha filha me chutou muito durante a gravidez", interpreta
a moça, que estudou até a 7.ª série e sonha
fazer medicina. "Ela era muito agitada, acho que por eu ter cheirado
cocaína até o quinto mês de gravidez." Sua irmã,
de 19 anos, com três filhos, sofre de enxaqueca e pressão
alta. O uso de drogas e os problemas de saúde vêm do tempo
em que se prostituíram, com 12 e 13 anos. Dois dos condenados,
já soltos, têm passado devagar com o carro na porta da casa
das irmãs, olhando para elas, num recado subliminar de que as coisas
não vão ficar por isso mesmo. "Elas têm medo
de fazer boletim de ocorrência e ficar pior", explica o pai
das meninas, de 41 anos. "Não compensou muito denunciar. Eles
acabaram de sair da prisão, mas não criaram juízo.
Não sei se a polícia é fraca ou se não tem
competência. Nós, pobres, não temos como nos defender." Testemunha do assassinato,
em 2007, do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, que investigou esse e
outros crimes na cidade, o pai das meninas teve de deixar um emprego de
torneiro mecânico, porque policiais supostamente ligados aos assassinos
o perseguiam. "Não saio de casa." Ele teme pelas duas
filhas menores, de 4 e de 5 anos. Seu irmão e
cunhada, que denunciaram a prostituição das sobrinhas, observam
que os envolvidos no escândalo de pedofilia estão em melhor
condição que as vítimas. Técnica em enfermagem
há 24 anos, a tia das meninas não consegue trabalho. Viu
anúncio para cuidar de um idoso, mas quando chegou lá, descobriu
que o dono da casa era um dos pedófilos. Não foi contratada.
"Acho que vou embora de Porto Ferreira. As portas estão fechadas." "A gente fica
na dúvida sobre se vale a pena denunciar", disse o pai de
outra garota, prostituída aos 14 anos, agora com 20 e mãe
solteira. "As pessoas condenadas têm emprego e estão
todas aí", disse o pai, um caminhoneiro de 52 anos. "A
gente não tem nada." Os 6 vereadores do
total de 10 condenados afirmam ter sido vítimas de uma "armação",
por disputas políticas e interesses econômicos. Na cidade
circula a história do membro de uma família importante que
teria pagado para sair da lista dos réus. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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