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'Aqui ninguém fica no muro' |
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| LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
7 de dezembro de 2008
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Wesley já fez de tudo. Vendeu geladinho na rua e vela no cemitério, cuidou de carro, vendeu panela de casa em casa. Aos 10 anos, entrou para a Casa do Zezinho "para fugir do tráfico". No Parque Santo Antonio, favela do Capão Redondo, viu entre 15 e 20 amigos morrerem e "cinco dúzias" serem presos. "Aqui, ninguém fica em cima do muro", explica Wesley. ''Ou você é bom ou é mau. Ou chega junto ou é Zé Ruela." Na Casa do Zezinho, Wesley tomou gosto pelos esportes e pela dança. Descobriu que isso podia ser uma profissão. Decidiu estudar Educação Física - para desgosto de seu pai, que queria que ele trabalhasse em seu bar: "Faculdade é para rico." Wesley teimou. A Casa do Zezinho
lhe deu cursos de reforço e lhe conseguiu uma bolsa de 100% na
Unisa. Ele entrou em 2003 e terminou em 2006, e desde então é
professor de musculação numa academia na Estrada de Itapecerica
(periferia sul de São Paulo), e ainda trabalha como personal trainer
em Moema, bairro de classe média. "Mostrei que as pessoas
da periferia também podem vencer", orgulha-se Wesley, hoje
com 23 anos, casado, e com um filho de 2 meses. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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