|
Quando
reservatório cheio é ameaça |
|
| LOURIVAL SANT'ANNA |
Domingo,
31 de janeiro de 2010
|
|
Abastecimento de água
e energia elétrica garantidos: os reservatórios cheios seriam
uma excelente notícia, não fosse a ocupação
desordenada do território, que coloca populações
sob o risco de inundação. Quando os reservatórios
chegam a um determinado nível de segurança, as comportas
têm de ser abertas, caso contrário, a água passa por
cima das barragens e pode causar o seu rompimento. Portanto, a água
sairá, de uma forma ou de outra. Tentar contê-la pode ser
uma péssima ideia. É o que explica
Benedito Braga, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA)
desde sua criação, há nove anos, até 22 de
dezembro. Braga, que reassume agora as funções de professor
de Meio Ambiente na Escola Politécnica da Universidade de São
Paulo, é também vice-presidente do Conselho Mundial da Água,
e vai presidir o 6º Fórum Mundial da Água em Marselha
(França), em março e abril de 2012. Entre uma reunião
e outra do conselho em Delft, na Holanda, ele concedeu esta entrevista
ao Estado, pelo telefone. Existe a possibilidade
de ruptura de alguma barragem? Isso é um fato
muito raro. O que muitas vezes acontece é o rompimento de represas
de menor porte, construídas sem muito controle de qualidade ou
por falta de manutenção. A chance de rompimento de grandes
represas, tipo Itaipu ou Ilha Solteira, é muito pequena. São
feitas com muito critério e têm o dispositivo extravasor,
pelo qual a água sai quando a represa enche. Evidentemente Em relação
à Billings, quais são os riscos? A Billings foi projetada
pelo engenheiro (americano Asa White Kenney) Billings nos anos 20, e Existem os dois tipos:
o vertedor livre, que, quando chega a um determinado nível, a água
passa por ele, e o vertedor com comporta, que você pode operar.
Aí, existe um nível a partir do qual você é
obrigado a abrir a comporta, porque, se não, coloca em risco a
segurança: a água começa a passar por cima do corpo
da barragem, pode erodir a base, solapar e ela cair. Quando se abre o extravasor,
começam os problemas para quem estiver a jusante? No mundo todo, quando
é construída uma barragem grande, as inundações
que eram frequentes Então o problema é que essas áreas não deviam ser ocupadas? Exatamente. É
um problema social como o das áreas urbanas. Os pobres moram na
beira do rio, onde ninguém quer morar, porque está sujeito
a inundações. A lei de gestão das águas do
Brasil envolve a União e os Estados. O município, que é
o responsável pelo planejamento do território, pelos Planos
Diretores, fica de fora. Claro que pode haver algum erro humano na operação,
mas as chances de isso acontecer são tão pequenas quanto
de romper a barragem. Houve nos anos 70 rompimento de barragem no Rio
Pardo, perto de Ribeirão Preto. A comporta não abriu, a
água Não sei, não
tenho estudos para esse caso, mas o que a gente pode especular é
o seguinte: a Por que foi restringido
o bombeamento? Na Serra da Cantareira,
o sr. vê um risco maior? Se não fosse
o problema da ocupação, esses reservatórios cheios
seriam uma boa notícia? Excelente. Significa
que, se tiver uma seca no ano que vem, não vai ter racionamento.
O Sistema Cantareira fornece 50% da água consumida em São
Paulo. Significa que não teremos problemas para gerar energia elétrica.
A Billings hoje não gera energia. Se gerasse, estava bom. Mas,
quanto Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |