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A construção
do voto - O Brasil olha para a frente |
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LOURIVAL SANT'ANNA |
Domingo,
30 de maio de 2010
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Como se forma o voto
na mente do eleitor brasileiro? Quais suas motivações? O
que é decisivo para ele? Para responder a essas perguntas, o Estado
percorreu, nos últimos meses, 12.980 km, de avião e de carro,
em busca de grupos de pessoas que, juntos, representam o mosaico da extraordinária
diversidade de tipos humanos e condições socioeconômicas
do Brasil. Mas, se há
uma coisa que define o sentimento dos brasileiros, que permeia todas as
classes sociais e regiões do País, que atravessa as fronteiras
do urbano e do rural, do nível de instrução e da
idade, é essa: os brasileiros têm os olhos voltados para
o futuro. Independentemente de suas preferências e posições
sociais, eles concordam que a vida melhorou nos últimos anos, e
veem continuidade naquilo que mais importa nesses 16 anos de governo de
Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva: as políticas
econômica e social. As coisas têm
melhorado, e o que eles querem saber agora é em quem devem votar
para que elas continuem melhorando. Por razões muito concretas,
esse estado de ânimo perpassa eleitores em situações
socioeconômicas e com sensibilidades e compreensões da realidade
tão díspares: a melhoria do poder de compra dos trabalhadores,
o acesso ao crédito, a expansão dos programas sociais, a
geração de empregos formais, o crescimento com inflação
baixa. Os brasileiros estão
mais contentes do que antes. Isso não significa que estejam satisfeitos:
eles querem mais. Como não há um embate entre os candidatos
sobre modelos de políticas econômicas e sociais, é
natural que não haja um herdeiro óbvio do que
é percebido como conquistas, nem um oponente claro daquilo que
ainda perturba os brasileiros. E há muito o que os perturba: as
ineficiências do Estado, a precariedade da saúde, a violência,
a corrupção, os impostos altos, enfim, os velhos problemas
de sempre. As narrativas que
seguem não pretendem ter consistência estatística.
Não são pesquisas, nem sequer qualitativas: são reportagens.
Mas o leitor não deixará de notar uma correlação
entre os resultados das pesquisas de aprovação do governo
e de intenção de voto e as opiniões expressas pelos
entrevistados. Muitos dos estereótipos se confirmam aqui: o espírito
crítico dos mais instruídos e urbanos, a gratidão
dos mais pobres para com os programas sociais, a identificação
especial dos nordestinos com o presidente Lula, as habituais queixas e
inquietudes dos produtores rurais e dos empresários. Mas mesmo o previsível ganha a vivacidade que só histórias reais podem proporcionar. É o Brasil em movimento. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |