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Em Marabá,
queixas de impostos elevados |
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LOURIVAL
SANT'ANNA |
Domingo,
30 de maio de 2010
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MARABÁ José Cláudio
de Paula, de 38 anos, veio de Rubiataba, interior de Goiás, em
1996, depois que seu pai adquiriu uma fazenda na região. Em 2000,
comprou uma parte da Casa da Roça, tornando-se um dos quatro sócios
da rede de 12 lojas em 12 municípios do Pará. De lá
para cá, abriram mais duas filiais e montaram uma fábrica
de sal mineral. Seus clientes perto de Marabá criam principalmente
gado; noutras áreas do sul do Pará, o forte é a soja.
Cláudio conta
que o seu negócio cresceu entre 2002 e 2006. Nos últimos
quatro anos, estabilizou. Ele atribui a interrupção
no crescimento ao fato de a empresa ter mudado seu regime tributário
de lucro presumido para lucro real. Passamos a pagar mais impostos,
temos mais ferramentas para avaliar se estamos ganhando ou não
e descobrimos que nossa margem de lucro é muito pequena.
É normal
que o governo aperte, ele tem de correr atrás do que é devido,
mas, já que está arrecadando muito mais, e praticamente
não existe sonegação, deveria diminuir a alíquota,
propõe Cláudio, que cursou ensino médio. O
governo tem de aprender a conviver com porcentagem menor de imposto e
a devolver em serviços para o contribuinte, o que não tem
acontecido. A única rodovia
federal da região é a Transamazônica, que passa asfaltada
dentro de Marabá, mas 20 km adiante prossegue de terra. Há
quantos anos a Transamazônica existe e nenhum governo resolveu o
problema dela, indigna-se Cláudio. Continua sem pontes,
esburacada, cheia de atoleiros, quase intransitável nessa época
de chuva. Cláudio também
se queixa da exigência de 80% de reserva legal nas fazendas da Amazônia.
Ele lembra que a União incentivou a vinda dos fazendeiros - incluindo
seu pai - e a condição para a liberação de
recursos era que os proprietários desmatassem - ou abrissem,
no jargão rural - pelo menos 50% das terras. Era o contrário,
aponta. Estamos sendo obrigados a assinar TAC (Termo de Ajustamento
de Conduta, com o Ministério Público) para regularizar nossa
criação. Seu pai tem 800 cabeças de gado e
450 hectares. Não é que piorou com a lei ambiental,
mas precisava existir flexibilidade para deixar usar pelo menos 50% da
área que foi desmatada, senão fica inviável.
À pergunta
sobre que candidato é mais sensível a esses problemas, Cláudio
responde: Talvez hoje o que seria mais sensato - não vou
dizer melhor - é o José Serra, que tem capacidade
de implantar políticas viáveis para manter esse pessoal
no campo. Dilma e Marina não têm conhecimento de causa. É comum ouvir
essas queixas em Marabá. Tem uma política ambiental
contra nós, acusa o empresário Seme Alcici Assaf,
de 49 anos, distribuidor de frango e de embutidos, com 936 clientes espalhados
por 30 municípios da região. O Ibama nos trata como
marginais. Dizem que está destruindo a mata, mas o americano não
destruiu a dele? Seme aprova o governo
Lula, por causa da repercussão do aumento do crédito, do
emprego e do poder aquisitivo nos seus negócios. Voto em
quem gera emprego. Meu negócio é vender meu produto,
explica. Esse negócio de mensalão, tenho mais o que
fazer do que ficar olhando o que o governo está fazendo, se estão
roubando. Um dia prestarão contas com Deus. Seme votou em
Serra em 2002 e em Lula em 2006, porque gostou do primeiro mandato. Não
pensei que ele fosse tão bom. Ele se identifica com o presidente:
Lula é peão igual eu. Saiu do nada. Marabá foi
uma das cidades que mais cresceram no Brasil nos últimos anos.
Na Avenida Tocantins, no bairro Cidade Nova, onde seis pessoas se reuniram
na padaria City Pão para conversar com o Estado, os preços
dos aluguéis de apartamentos se equiparam aos de São Paulo.
A catarinense Cíntia
Alves de Moraes, administradora de empresas de 36 anos, veio em 2007 de
São Paulo, onde trabalhava na cooperativa de ônibus Nova
Aliança, atendendo a um convite para implantar o bilhete eletrônico
na cidade. Nesse período, Marabá mudou muito,
testemunha Cíntia. Mas ela não vê nisso papel do governo.
O desenvolvimento da cidade é de interesse dos empresários,
e não dos governos, diz Cíntia. O governo federal
é falho, principalmente na saúde, na educação
e na corrupção, critica Cíntia, que tem empresa
de eventos em Marabá. Ela votou em Serra em 2002, em Geraldo Alckmin
em 2006 e voltará a votar em Serra este ano. Não confio
na Dilma. Ela é só fantoche de Lula. A City Pão começou com uma pequena padaria em 2005. Hoje é uma rede de três padarias e restaurantes e uma fábrica de pão. Acho errado dizer que o governo não tem papel nisso, discorda Nádia, de 41 anos, irmã de Cíntia e gerente da City Pão. Tudo o que o governo faz reflete no bolso. O governo Lula teve um lado legal, de incentivo ao pequeno agricultor. Criou oportunidades para produzir, mas muitos preferem viver às custas do governo. Formada em administração, ela votou em Serra em 2002 e em 2006 justificou. Este ano ainda não sabe em quem vai votar. Vamos ouvir as propostas. A grande expectativa
em Marabá gira em torno da implantação de uma nova
siderúrgica, a Aços Laminados do Pará, investimento
de US$ 3,7 bilhões da Companhia Vale do Rio Doce, que deve ficar
pronta em 2013. Vão fazer outra cidade aqui dentro,
aposta Seme. É outro Eldorado (dos Carajás), outra
Serra Pelada. Dyego Santana Reis,
de 20 anos, estudante de engenharia ambiental na Universidade Federal
do Pará, critica o processo de licenciamento ambiental da siderúrgica
e teme por seu impacto ambiental e social. Dyego critica também
o desempenho da governadora Ana Júlia Carepa (PT) nas áreas
da saúde, da educação e da segurança pública.
Isso influi na sua visão do governo federal: A governadora
é petista, e o presidente, também. Ele tem simpatia
por Serra, mas acha prematuro dizer que votará nele.
No ano passado, sua
irmã, Thaynara, de 24 anos, fez estágio de 240 horas num
posto de saúde de Imperatriz, no Maranhão, onde se formou
em nutrição, e saiu desiludida com as políticas sociais
do governo. Ela diz que viu mães falsificando o peso de seus filhos
para continuar recebendo o Bolsa-Família, e observou que as crianças
ficam apenas meio período na escola, e no outro vão pedir
esmola. Thaynara queixa-se também do serviço de saúde.
Ela justificou o voto em 2006 e não sabe em quem votará.
As propostas são lindas, é tudo muito fantasiado.
Só sabe que não votaria em Lula: Acho que o Brasil
merece coisa melhor. A visão do cirurgião plástico Marcello Nunes Alves, de 39 anos, também é prejudicada por sua impressão da governadora: O governo estadual do PT está muito ruim, em todos os sentidos. Na sua área, a melhora que ele viu foi a criação dos hospitais regionais, para tratar casos complexos, antes encaminhados para Belém. Mas diz que foi iniciativa do governo anterior, do PSDB. Há quatro anos, Marcello votou em Alckmin, e este ano votará em Serra. O Brasil está bom para quem é menos favorecido, diz o cirurgião plástico. Quem tem paga muito imposto. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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