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Lavradores do
sertão da Paraíba dizem que a vida melhorou |
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LOURIVAL
SANT'ANNA |
Domingo,
30 de maio de 2010
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UIRAÚNA Eles começam
a trabalhar às 7 horas, param às 11 para o almoço,
descansam, retomam às 13 e vão até as 17 horas. Depois
do almoço, à sombra de um juazeiro, cinco moradores que
faziam uma cerca na Fazenda Riachão, e que recebem diária
de R$ 20, conversaram com o Estado sobre o que acham do governo
do presidente Lula e sobre as eleições deste ano. Para o pobre,
ele é muito bom, começa Geraldo Daniel Duarte, o Geraldo
Zé das Dores, de 58 anos. Hoje, acabou os pobres. Mudou muitas
coisas, continua Das Dores, capataz da fazenda, sob o olhar de aprovação
dos outros. Eles passam a enumerar os programas federais. O primeiro que Das
Dores cita é o Seguro Safra, que segundo ele lhe pagou um total
de R$ 550, em cinco parcelas, como indenização pela perda
de sua lavoura com a chuva na hora errada no ano passado. O capataz lembra
em seguida o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura (Pronaf),
que financia investimentos na produção. Ele já fez
três saques do Pronaf, por meio do Banco do Nordeste: comprou uma
vaca com os primeiros R$ 1.000 e, depois, dois pares de novilhos, por
R$ 1.500 cada. Quando a crise pega, a gente vende a matriz (vaca)
e fica com a cria, descreve. Tem resultado, não tem
prejuízo. Ele pagará R$ 500 este ano e R$ 1.000 em
2011. Das Dores conta que a vida de seu pai, aposentado de 89 anos, também
melhora todo ano, graças aos reajustes do salário
mínimo. Seu pai costuma dizer: Ê, governo bom. Aqui agora também
tem aquele negócio do teste do pezinho, acrescenta Manuel
Valdevino da Costa Neto, o Manuel Sabaió, de 53 anos. Ele diz que
sua filha de 17 anos tem um bebê de 7 meses, e está encaminhando
os papéis para fazer o teste e receber em troca benefício
de R$ 2.000. Isso aqui nunca teve, sentencia Sabaió.
Dos cinco, dois recebem
Bolsa-Família. Damião Rodrigues da Silva, o Galego, de 36
anos, conta que ganha R$ 90. Ele tem um filho de 2 anos, e há três
recebe o benefício. Não foi difícil conseguir,
testemunha Galego, que com o auxílio compra gás e paga energia
elétrica. Não tem nada do governo que eu não
goste, resume. O melhor presidente que entrou foi Lula. Antes, a gente
não ouvia falar nada dessas coisas que vêm acontecendo,
assegura Geraldo Oliveira, de 58 anos. O governo de Fernando Henrique
foi até mais ou menos. Ele lembra, por exemplo, do Programa
Vale Gás. Nós recebeu num dia e cortou no outro,
recorda Oliveira, provocando risos entre os demais. Ele também
recebe o Bolsa-Família: Parece que é R$ 90. Quem recebe
é a mulher. Não vejo nem a cor. Mas diz que ela compra
material escolar para os netos e paga as contas de água e luz dos
três filhos que moram na cidade. Sabaió recebeu
o Bolsa-Escola durante três anos do governo Fernando Henrique e
o Bolsa-Família dois anos do governo Lula. Perdeu o direito porque
a venda do leite de suas vacas elevou sua renda acima do teto do programa,
e porque seus filhos foram crescendo; José Duarte da Silva Júnior,
de 25 anos, nunca recebeu porque é solteiro; Geraldo Oliveira,
de 58, porque quando o programa chegou seus filhos já eram adultos.
O Programa Luz para
Todos, também do governo federal, chegou há dois anos ao
Riachão dos Pintos, onde Manuel Sabaió mora. Júnior
vive na cidade, mas diz que o programa beneficiou seu pai, que mora numa
localidade chamada Siriema. Galego, que mora em Casas Velhas, no município
Poço José de Moura, ainda não foi alcançado
pelo programa, apesar de ter feito o pedido há um ano. Ele gastou
R$ 150 para estender a rede até sua casa. Mas, quando chegar,
eu arranco e vendo o poste. A simpatia por Lula
é anterior a todos esses programas. Votei todas as vezes
em Lula, porque era nordestino e dava valor aos pobres, explica
Sabaió. Sua única crítica ao presidente é
por não ter tirado do papel a transposição do Rio
São Francisco, que ele considera que geraria muitos empregos no
Nordeste. Lula não vai sair este ano? Então, vai dar
só um calor, queixa-se. Vamos ver se a candidata dele
vai seguir, continua Sabaió, referindo-se ao engajamento
de Dilma Rousseff no projeto. Acho difícil. Eu voto na candidata
de Lula, atalha Júnior, com um chapéu de couro que
lembra os cangaceiros que atravessaram essa caatinga há um século.
As opiniões se dividem quanto a Dilma. O repórter pergunta
se uma presidente mulher seria bom, e Júnior reitera que sim. Se
ele dissesse que não estava bom, ia ser preconceituoso, coloca
em dúvida Manuel Sabaió. Eu fico no meio. Acho que
não vai resolver tão bem igual o homem. Mas pondera:
Se a mulher continuar o que ele (Lula) fez, tá bom.
Geraldo Zé das Dores discorda: Às vezes, mulher resolve
melhor que homem. Oliveira é da mesma opinião: Eu
vou votar na mulher. Política mulher
não é novidade para os moradores da região. Uiraúna,
terra da ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB), é
administrada pela médica Glória Geane (PSDB). Na vizinha
Santarém da Paraíba, outra prefeita: Lucrécia Barbosa
(PMDB). À pergunta sobre se poderiam votar em José Serra, caso ele prometesse manter todos os programas sociais, Oliveira descarta: Ele falou em entrevista no jornal que, se chegasse no poder, cortava. A informação gera polêmica. Corta não, duvida Das Dores. Se tem o poder, por que não vai cortar?, insiste Oliveira. Os lavradores dizem
que não podem contar nem com o governo estadual nem com as prefeituras.
Geraldo Oliveira dá um exemplo: na Emater, órgão
de assistência técnica estadual, para tirar 10 kg de milho
para plantar, é preciso deixar 20 kg de feijão. "Isso
não é ajutório. " A Prefeitura de Uiraúna
cedeu no ano passado duas horas de trator para a colheita do milho, mas
tarde demais, quando ele já estava "seguro" na espiga.
"Perdemos a colheita. " Em contraste, o governo
federal os apoia, afirmam eles. Geraldo define assim o presidente Lula:
"É o pai da Nação. " Júnior tem
uma justificativa simples para votar na candidata do presidente: "Tem
que ajudar quem ajuda a gente. " Ele conta que sua irmã, que
tem um filho de 4 anos, ganha Bolsa-Família e recebeu pelo teste
do pezinho. Além disso, Júnior conseguiu comprar sua moto
no ano passado, em consórcio, com mensalidades de R$ 125. "Melhorou
muito para nós com a entrada desse presidente. " Galego também
comprou sua moto, por R$ 4.800, com o salário que ganhou trabalhando
na construção da Barragem de Capivara, que abastece seis
municípios da região, onde antes faltava água. Ele
recebia salário mínimo (na época R$ 480) mais R$
120 de hora extra. "A obra ajudou muito. Deixou muita gente com moto
zero. " As motocicletas converteram-se
num sinal da "prosperidade" em muitas zonas rurais pobres do
Brasil. No agreste nordestino, elas substituem os tradicionais jumentos
como meio de transporte, e os animais são vistos abandonados nas
estradas de terra. A Barragem de Capivara
foi construída pelo governo estadual, com verbas federais conseguidas
pelo deputado Wilson Santiago (PMDB-PB), que apoia Lula, dizem os moradores.
São mais obras assim, como o asfaltamento da estrada que liga Uiraúna
a Icó (Ceará), ou a transposição do São
Francisco, que eles esperam do próximo governo, para gerar empregos
formais. |
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