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Gestão
e corrupção preocupam eleitores de classe alta de Brasília
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LOURIVAL
SANT'ANNA |
Domingo,
30 de maio de 2010
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BRASÍLIA Lula para mim
foi uma grande decepção, confessa Eduardo Mata Machado,
de 68 anos, técnico de planejamento aposentado do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Eu gostava do PT, porque
era coeso, tinha proposta, consciência social. Os outros partidos
não falavam nada a esse respeito. Chegou ao poder e podia aplicá-la.
Deu no que deu, lamenta. Viramos uma república sindicalista,
com quantidade absurda de ministérios. As coisas não
melhoraram como esperaríamos, avalia a advogada Andrea Rebellatto
Adorno, de 38 anos, que trabalha na fábrica de revestimentos de
madeira de seu marido. Ser empresário no Brasil é
um desafio enorme, desabafa o marido, Sebastião Adorno, de
52 anos, formado em economia. Não posso me convencer de que
só exista um mecanismo para combater a inflação,
a taxa de juros. Só favorece banqueiros, para atrair o capital
estrangeiro e agiotar o consumidor. Ninguém fala de poupança
pública, que significa cortar gastos e aumentar investimentos. Sebastião considera
que Lula manteve a estabilidade econômica conquistada por Fernando
Henrique Cardoso. Fora isso, avançou muito pouco na política
social. Já Andrea pondera que houve alguns avanços
na política social, e cita o programa Minha Casa Minha Vida como
exemplo. De sua parte, Sebastião elogia o aumento do salário
mínimo. O casal considera o Bolsa Família paternalista,
preocupa-se com o risco de a dependência tornar-se eterna
e diz que seria melhor investir na educação. Acho ótimo
o Bolsa-Família, entusiasma-se o dono da casa, João
Nildo Vianna, de 71 anos, professor de engenharia mecânica da Universidade
de Brasília (UnB). É uma forma de distribuição
de renda, que bota o dinheiro lá na venda. Ele argumenta
que, se não houver programas como esse, você tem de
ficar entrincheirado com uma cartucheira, para não invadirem sua
casa. Concorda que o benefício não deve ser eterno,
e pondera: Nunca vi tanto treinamento, tanto esforço de qualificação. Sebastião critica
o desempenho administrativo do governo: Gestão do Estado,
não tem. É a caneta nomeando apadrinhados. João
Nildo discorda: A máquina pública está cada
vez mais eficiente. Está acabando esse negócio do funcionário
que deixa o paletó na cadeira. Agora é concurso. Não
existe mais essa caneta. Ele provoca: Vocês empresários
querem reduzir o Estado? ' Sebastião explica que não é
contra contratação, mas contra má contratação,
e argumenta que há muito pessoal terceirizado, além dos
cargos de confiança. Marco Antonio Veloso,
de 66 anos, aposentado da Companhia Energética de Pernambuco, e
que hoje presta consultoria sobre serviços públicos no Nordeste,
acha que se está cometendo exagero ao contratar engenheiros, motoristas
e secretárias por concurso, encaixando-os na carreira do Estado,
com todas as dificuldades para depois demitir. Concurso deveria
ser para agentes reguladores, que precisam da proteção do
Estado. Engenheiro, como eu, deve ser contratado pela CLT. Leonora Maciel de
Souza Vianna, de 59 anos, médica aposentada da rede hospitalar
do DF e professora de medicina da UnB, lembra que, em 1985, quando o presidente
eleito Tancredo Neves morreu, dizia-se que São Paulo tinha a melhor
medicina privada e a pior pública e Brasília, o contrário.
Hoje, Brasília tem uma péssima medicina pública
e a de São Paulo melhorou. Ela admite que o salário
dos médicos não é ruim. O problema na saúde
é de gestão. Não vejo ninguém que preste.
Sebastião protesta:
Serra fez o genérico. Nessa área, ele demonstrou (que
é possível realizar). Andrea conta que sua mãe
teve câncer e foi bem tratada em hospitais públicos de São
Paulo. Ela atribui isso ao governo de José Serra. Leonora votou em Heloísa
Helena no primeiro turno e em Lula no segundo. Neste ano, pretende votar
em Marina Silva no primeiro e em Dilma no segundo. Acho que a política
do governo não foi ruim, diz ela. Quando vai nos rincões
do País, você vê meninos às 2 e meia da tarde
de pé esperando ônibus para ir para a escola. O Brasil melhorou. Sebastião votará em Marina no primeiro turno. Quanto ao segundo, diz que se sente entre o capeta e o diabo e que vai tentar escolher o menos pior. Mas considera que Marina apoiará Serra. Andrea vai votar em Serra, e promete convencer o marido: Acho que precisa modificar, e tendo em vista as benfeitorias em São Paulo. Veloso votará em Marina, que descreve como aquela mulher magrinha, frágil, corajosa e séria. Em 2002, ele foi eleitor de Serra e em 2006, de Geraldo Alckmin. Quero dar um voto na ética, porque estou tão cansado de patifaria. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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