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Elogios a Lula
e votos em Serra em Ribeirão |
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LOURIVAL
SANT'ANNA |
Domingo,
30 de maio de 2010
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RIBEIRÃO
PRETO Sinceramente,
não posso reclamar, diz Eduardo Capretti, de 27 anos, gerente
de contas de pessoas físicas de um grande banco em Ribeirão
Preto, com clientes no interior de São Paulo e no Triângulo
Mineiro. Tenho trabalhado mais, mas as coisas estão acontecendo,
tem bastante oportunidade. Uma das explicações é
o acesso ao crédito. Houve políticas do governo federal
que facilitaram o crédito para a população, como
o empréstimo consignado do INSS, ressalta Eduardo, formado
em direito e em administração. Era um nicho que não
era visto. As empresas e os bancos não davam a atenção
devida a esse público. O presidente
fez um trabalho muito agressivo, muito importante, de puxar parcerias
com outros governos e empresas fora do Brasil, elogia Eduardo. Foi
buscar mercados novos em regiões como África e Oriente Médio.
No começo foi até criticado por isso. Eduardo apoia
a política externa de Lula mesmo com relação a parcerias
mais controversas, como com o Irã: Eu acho que tem de ser
pragmático. É um parceiro comercial que ele preza.
Ele votou em Lula nas eleições anteriores. Não
sei se voto na Dilma ou no Serra. Preciso entender mais o Serra. Não
votei nele (para governador de São Paulo) e me arrependi. Fez um
bom governo. Paulo Sérgio
Dalla Bernardina, de 47 anos, que mora em São José do Rio
Preto, outra cidade importante do interior de São Paulo, é
gerente regional do mesmo banco. Acho que o País melhorou
muito, confirma Paulo, formado em administração de
empresas. Anos atrás se tinha uma expectativa de o salário
mínimo chegar a US$ 100, hoje chega a US$ 300, exemplifica.
Claramente, as políticas adotadas pela atual presidência
do Lula, que arrastou lá do Fernando Henrique, têm um forte
conteúdo social, são voltadas para as classes D e E. As
pessoas melhoraram de vida. As políticas
internacionais são muito claras e o Brasil se fortaleceu muito
no cenário internacional, continua Paulo. O Brasil
está muito melhor do que era há 15, 20 anos. Ele não
votou em 2006, porque estava viajando. Este ano, pensa votar em Serra.
Por mais que eu ache que as políticas do Lula foram muito
boas, acho que o Lula não tem uma boa equipe, explica. A
equipe dele, do PT, José Dirceu e outros, prejudicou muito a imagem
de Lula e do Brasil, levou o País a um estado deteriorado de corrupção.
Lula tem uma responsabilidade muito grande de não ter atuado em
relação à corrupção. Ele ignorou os
fatos debaixo de seus olhos, grande parte deles gerada dentro da equipe
do PT. Então, não voto no PT. Os problemas éticos
no governo Lula também incomodam Dante Villa Glé, de 27
anos, formado em direito, e que se prepara para um concurso de delegado
da Polícia Federal. Eu não sou ufanista a ponto de
achar que Lula foi esse salvador da pátria que ele se vende, o
famoso nunca antes na história desse País, mas
acho que ele teve uma postura durante grande parte do governo que foi
benéfica em alguns aspectos, mas no geral não aprovo o governo
dele, não gosto da figura dele, acho que ele desmoraliza tudo o
que vai contra ele, critica Dante. Não tem uma oposição
forte, como o próprio PT fez contra os tucanos. Os tucanos não
souberam ser oposição. Então ele se saiu muito bem.
Criou uma imagem muito superior ao que foi o governo dele. Acho que o
governo não foi tão bem, mas teve seus méritos, embora
não muitos. Dante observa que
o governo Lula não fomentou a Polícia Federal
nem outros órgãos que combatem o crime de colarinho
branco. Ele lembra que o presidente atropelou o Tribunal
de Contas da União, que tentou embargar obras federais por irregularidades,
assim como as operações Satiagraha e Sanguessuga da PF,
que tinham muita gente dele envolvida. O próprio
mensalão me deixou abismado, conta Dante. Não
concordo que, com uma falta de ética desse tamanho, Lula tenha
a credibilidade que tem. De mil políticos,
você tira dez corretos, estima Sebastião Alberto Monteiro,
de 56 anos, sócio de uma construtora em Ribeirão especializada
em lojas e salas comerciais. O resto não está preocupado
com a Nação, mas consigo próprio. Toda a corrupção
que aconteceu no governo Lula nós ficamos sabendo. Nos governos
anteriores, não ficamos sabendo. É tudo a mesma coisa. Não
muda nada. Sebastião diz que a construção civil está bombando, atendendo a uma demanda reprimida ao longo de 15 anos. Embora favoreça seus negócios, ele vê um motivo negativo nesse boom: A segurança está péssima. O profissional liberal que trabalhava no escritório de casa está se mudando para sala comercial onde encontra segurança para trabalhar, com porteiro 24 horas, câmeras na fachada. Casas residenciais
estão se desvalorizando. Abriu-se mercado para condomínios
verticais e horizontais. Para o empresário, que estudou até
o quarto ano de direito, tanto o governo estadual, responsável
direto pela segurança pública, quanto o federal, que repassa
as verbas, têm responsabilidade nisso. Ele não votou
em Lula em 2006, mas acha que o governo dele não está
sendo dos melhores nem dos piores. Tenho afeição
muito grande pelo Serra, confessa. Acho que está no
momento de mudar um pouquinho. É uma tentativa. Pode-se até
quebrar a cara. Mas acho que a candidata do Lula ainda é muito
imatura. Teve uma boa escola, o Lula é um grande professor. A enfermeira Gabriela
Levorato, de 25 anos, do Hospital Escola da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto, avalia o governo principalmente pelo ângulo da saúde
pública. Em alguns pontos, teve certo desenvolvimento; noutros
setores, retrocedeu, principalmente na saúde, diz Gabriela,
que fez pós-graduação em oncologia na PUC de Campinas.
Nesses três
anos de pós-graduação e de trabalho, senti que aumentou
muito o número de pacientes, e o de leitos nos hospitais continuou
o mesmo, ou quando aumentou não se ofereceu a infraestrutura necessária,
critica ela. Assim como os governos estadual e municipal, o federal
também tem sua parcela de responsabilidade. No meu hospital, a
responsabilidade é do Estado, e a gente nota um abandono.
Gabriela observa que
é a iniciativa privada que desenvolve a infraestrutura do País,
com as concessões de rodovias, ferrovias e portos, e a possível
privatização dos aeroportos. O governo lança
o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas na verdade
nada sai do papel. Ela votou em Geraldo Alckmin em 2006. Apesar
de Serra ser meu patrão e eu não estar muito contente com
ele, como não vou votar na Dilma Rousseff, acho que, se não
formar outra opinião, acabo votando no meu patrão. O governo tem
algumas coisas boas', pondera Paulo Santiago, de 29 anos, doutor em educação
física e professor da USP de Ribeirão Preto. Eu saí
da classe baixa e vejo que quem sai dela tem mais chance de ter uma posição
melhor na sociedade, diz Paulo, cuja mãe é costureira
e o pai, vendedor de material odontológico. A classe alta
continua em posição favorecida. Quem pagou o preço
foi a classe média, que foi mais estrangulada. Como exemplo, Paulo
cita o Programa Minha Casa Minha Vida. As pessoas de classe mais
baixa têm certa facilidade de comprar casa porque o governo dá
subsídio de R$ 20 mil para casas de até R$ 100 mil,
analisa. Foi uma intenção boa, mas o mercado imobiliário,
que não é bobo, subiu os preços das casas de R$ 80
mil para até R$ 150 mil, o que fez inflacionar o mercado inteiro.
Paulo teme que a especulação imobiliária leve o Brasil
a uma crise semelhante à dos Estados Unidos. Eleitor de Lula, o
professor nutre dúvidas sobre a candidata do presidente. Concordo
com Ciro Gomes, que disse que a Dilma parece ser boa pessoa, mais centrada,
porém não tem experiência, diz ele. Enquanto
o Serra é mais experiente, parece ser mais competente, mas tem
esse lado mais maldoso. Ele suspeita que as obras e políticas
que levaram ao crescimento econômico, no País e em São
Paulo, não tenham resultado de planejamento, mas de cálculo
eleitoral. Se pudesse não
votaria em nenhum dos dois, mas são as opções reais
que a gente tem', lamenta o professor. Não confio na Dilma
por estar vinculada ao PT. Serra é competente, mas faz alianças
com partidos que não são confiáveis. Ambos
usam muito marketing, reclama Paulo, citando os slogans Brasil,
um País de todos, do governo federal, e São
Paulo, um Estado cada vez melhor, do estadual. A política
virou um grande marketing. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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