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Brasil
troca commodities por investimentos |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Sexta-feira,
28 de maio de 2004
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XANGAI - O
libanês Mohamad Laila, diretor da New Brasil Importação
e Exportação, de São Paulo, circulava ontem de manhã
pelo Hilton Hotel com um sorriso otimista nos lábios. "Participei
de uma reunião com o setor moveleiro da China", contou Laila,
que tem uma loja de móveis em São Bernardo do Campo. "Estamos
tentando levar dez fábricas chinesas de móveis para a Amazônia." O esquema se reproduziu
com certa regularidade em outros ramos. Com exceção das
fábricas da Embraer e da Embraco na China, e da exportação
de alguns produtos brasileiros de maior valor agregado, a relação
entre os dois países é marcada por um desequilíbrio
visível: é a China quem investe no Brasil e lhe vende produtos
envolvendo mais tecnologia. O governo brasileiro
está consciente desse risco, diz Luiz Eduardo Melin, diretor de
Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES). "Às vezes, o fascínio de receber
investimentos é tão grande, que as pessoas perdem de vista
o que querem gerar, em termos de emprego e renda", afirma Melin.
"Muito daquilo que foi chamado de investimento ao longo dos últimos
dez anos no Brasil não foi investimento direto, mas aplicação
em ativo", acrescentou o economista, recusando-se a entrar em detalhes. Para ele, se os chineses
"não vierem com a cabeça de trader", ou seja,
de comprador de matéria-prima, "mas de investidor de médio
e longo prazo", não haverá esse problema. "Não
queremos o espírito segundo o qual eles trazem o dinheiro e podem
fazer o que quiserem", declarou Melin. "Para não sufocar
a indústria de base brasileira, temos que ver com extremo cuidado
e conversar com o Ministério do Planejamento e entidades como a
Abdib (Associação Brasileira das Indústrias de Base)." O Itamaraty também
se mostra consciente desse tipo de risco. O chefe da Divisão de
Promoção Comercial, Mário Vilalva, acha que o Brasil
não deve repetir o tipo de aproximação comercial
ocorrida com o Japão há três décadas, na base
da troca de matérias-primas por produtos eletrônicos. Mas,
com o crescimento brutal da economia chinesa, de 8% na média anual
e 9,1% no ano passado, e a crescente escassez de alimentos e insumos no
país, o tom da viagem raramente escapou dessa equação. "Acho que esta
viagem do presidente Lula tem muita semelhança com a do presidente
Richard Nixon em 1972", avaliou o presidente do Brasilinvest, Mário
Garnero, que está criando uma empresa junto com o conglomerado
chinês Citic, para a prospecção de investimentos em
infra-estrutura no Brasil. "Depois daquela
viagem, a China elegeu os EUA como mercado preferencial e deu um salto
extraordinádio baseado no saldo comercial", lembrou o empresário.
"Lula percebeu a necessidade de expansão do comércio
e dos investimentos, em troca da garantia, que o Brasil pode oferecer,
de abastecer a China pelos próximos 20 anos." Ao se abrir para o
mundo, nas últimas duas décadas, a China aproveitou para
atrair investimentos diretos, incluindo fábricas de alta tecnologia,
que ela vem assimilando e copiando, dando origem às primeiras fabricantes
e exportadoras chinesas de produtos de maior valor agregado, como eletroeletrônicos,
máquinas e equipamentos, etc. Se o Brasil repetirá a experiência
chinesa, dessa vez usando a China como um de seus trampolins, é
algo que possivelmente só o tempo dirá. |
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