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XANGAI - O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou ontem o tom de suas
declarações sobre as relações com a China
ao afirmar que não há, com outros países, oportunidade
de aproximação como essa. "Ontem na conversa com o
presidente Hu Jintao, eu lembrava que possivelmente na história
da humanidade não tenha tido nos últimos anos nenhum país
que tenha possibilidade de estreitamento de relações como
têm hoje o Brasil e China" afirmou Lula, referindo-se à
reunião privada que teve na segunda-feira com o presidente chinês.
"Por uma razão muito simples: a China não tem contencioso
histórico, político e econômico com o Brasil",
continuou o presidente, neste caso repetindo uma formulação
usada na véspera, no encerramento de seminário empresarial.
"China e Brasil portanto estão livres para não perderem
um minuto sequer discutindo erros do passado, mas discutindo apenas aquilo
que interessa ao povo chinês e ao povo brasileiro, na construção
de um futuro de paz e de prosperidade, que é isso que a humanidade
deseja." A declaração foi feita de improviso, durante
conferência de meia hora - quase toda lida - sobre política
externa, proferida na Universidade de Pequim.
Falando a uma platéia de 230 pessoas, predominantemente estudantes
chineses, Lula, apresentado pelo mestre de cerimônias como "um
líder político muito importante" que "vem da classe
trabalhadora", concluiu assim a parte lida do discurso: "Temos
a responsabilidade histórica frente a nossos povos de fazer das
relações entre China e Brasil um paradigma da cooperação
que o mundo espera do século 21."
O presidente listou os acordos comerciais entre o Mercosul e a União
Européia, a Índia e a União Aduaneira da África
Austral (Sacu, integrada por África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia
e Suazilândia) e acrescentou: "Esperamos iniciar, em breve,
as tratativas para a conclusão de acordo com a China." Lula
também incluiu no pacote a Área de Livre Comércio
das Américas (Alca), cujo acordo parece cada vez mais distante.
Lula fez a conferência depois de inaugurar um núcleo de cultura
brasileira na Universidade de Pequim. O núcleo já conta
com 20 alunos chineses de língua portuguesa. Há cinco cursos
de português na China, mas esse é o primeiro que ensina a
forma falada no Brasil. Entre os projetos do núcleo está
o de reeditar as traduções para o chinês de clássicos
da literatura brasileira, que estão esgotadas. A chefe do setor
cultural da embaixada do Brasil em Pequim, Maria Lúcia Verdi, pediu
doações de livros brasileiros para a biblioteca do novo
núcleo.
Na noite de segunda-feira, Lula convidou os sete ministros, seis governadores,
um senador e dez deputados que o acompanham na viagem a partir um bolo
na Diao Yutai (Casa Oficial de Hóspedes), para celebrar os 30 anos
do estabelecimento de relações diplomáticas entre
Brasil e China.
Depois da conferência de ontem, Lula inaugurou exposição
de arte indígena brasileira na Cidade Proibida, antiga residência
do imperador. O presidente percorreu as 344 obras - entre esculturas,
cocares, amuletos e utensílios de várias nações
indígenas - ao lado da vice-primeira-ministra da China, Cheng Zhiling.
Ela perguntou ao presidente sobre a situação dos índios
no Brasil. Lula respondeu que há 470 mil índios no País,
e que essa população praticamente dobrou nos últimos
30 anos, depois da demarcação maciça de terras. "Isso
é importante não só para o Brasil, mas também
para a humanidade", comentou Zhiling.
Cerca de 12 mil turistas visitam a Cidade Proibida por dia. Espera-se
que nos 90 dias de exposição meio milhão de visitantes
entre no pavilhão onde estão exibidias as obras. A exposição
foi organizada pela BrasilConnects, a mesma que levou os Guerreiros de
Xian ao Brasil. O patrocínio é da Companhia Vale do Rio
Doce e da Embraer.
No início da tarde de ontem, Lula e comitiva, a bordo do Sucatão
(Boeing 707 presidencial), vieram para Xangai, capital econômica
e financeira da China, onde participam de uma conferência do Banco
Mundial sobre combate à pobreza e de outro seminário empresarial.
Amanhã à tarde, a comitiva parte para Guadalajara, no México,
para participar de reunião de cúpula entre América
Latina e União Européia.
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