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Terror
mata 16 e põe jogos em alerta |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Terça-feira,
5 de agosto de 2008
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KASHGAR, China Por volta de 8h da
manhã (21h de domingo em Brasília), os dois homens se aproximaram,
num caminhão de lixo, de mais de 70 policiais que faziam sua corrida
de rotina na rua, perto de um quartel da polícia de choque, que
vigia as fronteiras. Segundo a agência estatal Nova China, o motorista
jogou o caminhão contra os policiais, saltou para jogar uma granada
neles e o veículo bateu num poste de eletricidade. Os homens ainda
esfaquearam os policiais antes de serem detidos, segundo o relato da agência.
Catorze policiais
morreram no local e os outros dois a caminho do hospital. Um dos homens
teve o braço ferido pela granada. A polícia diz ter encontrado
no caminhão dez explosivos e um revólver, todos de fabricação
caseira, e quatro facas. O atentado ocorreu em frente ao Hotel Yiquan,
mas nenhum civil foi ferido. No início da noite, quando o Estado
chegou a Kashgar, a cidade de 200 mil habitantes estava praticamente deserta.
Ninguém queria falar sobre o assunto com estranhos. Na recepção
do Hotel Yiquan, disseram que não sabiam de nada. Um motorista
de táxi disse que também não tinha ouvido falar nada.
A agência Nova
China tratou os homens detidos como "suspeitos de terrorismo".
O governo chinês temia que os separatistas tentassem estragar sua
festa. Cerca de 34 mil militares, apoiados por 74 aviões, 48 helicópteros
e 33 embarcações foram mobilizados para garantir a segurança
da Olimpíada. A preocupação com a segurança
foi tão grande que esvaziou a festa em Pequim. A China dificultou
tanto a concessão de vistos de entrada que os hotéis em
Pequim estão com baixa ocupação. Os trabalhadores
imigrantes da construção civil foram mandados de volta para
casa - com o duplo propósito da segurança e também
para tirar a imagem de pobreza que eles dão à cidade. Para muitos chineses
supersticiosos, a data do atentado pode ter uma mensagem macabra: o número
4, "si", é considerado de azar, porque soa parecido com
o verbo "morrer"; enquanto o número 8, "pa",
escolhido para a data da abertura dos Jogos (8/8/2008), é tido
como de sorte, pois se assemelha ao verbo "fa", que significa
enriquecer. O Departamento de
Segurança Pública da Região Autônoma Uigur
de Xinjiang, onde fica Kashgar, havia alertado que o Movimento Islâmico
do Turquistão do Leste (MITL) planejava atentados na semana anterior
à abertura dos Jogos. Os uigures são maioria na região,
e o MITL quer transformá-la num país independente. Segundo
os chineses, o grupo é apoiado pela Turquia. Em março, a
polícia disse ter frustrado uma tentativa de atentado a um avião
em Ürümqi, capital da região, por três integrantes
do MITL. Kurexi Maihesuti, vice-governador da região, afirmou na
semana passada que a polícia havia desbaratado cinco células
terroristas no primeiro semestre, detendo 82 suspeitos de preparar atentados
durante a Olimpíada. Um grupo chamado Partido
Islâmico do Turquistão assumiu dois atentados no mês
passado nas cidades de Xangai e Kunming, matando cinco pessoas. O governo
negou que se tratasse de atentados terroristas. Com 1,7 milhão
de quilômetros quadrados, a Região de Xinjiang representa
um sexto do território chinês e faz fronteira com oito países.
Kashgar fica a 130 quilômetros das fronteiras com o Paquistão,
Afeganistão e Quirguistão. Segundo especialistas, alguns
terroristas uigures tiveram treinamento com a Al-Qaeda. Além dos
uigures, vivem na região integrantes das etnias han, casaque, hui,
mongol, quirguiz, tajique, xibe, ozbek, mandchu, daur e tártara,
além de russos. A China é um mosaico de 56 etnias, mas os
hans, que falam diversos dialetos e têm em comum a escrita chinesa,
representam 90% da população. |