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Xinjiang, o território que incomoda Pequim |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Terça-feira,
5 de agosto de 2008
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ÜRÜMQI,
China Para entender o que
se passa em Pequim é preciso atravessar o país, voar quatro
horas a noroeste, até Ürümqi, a capital da Região
Autônoma Uigur de Xinjiang - vasto território de 1,7 milhão
de quilômetros quadrados, sem o qual a China, terceiro maior país
do mundo, seria menor que o Brasil, o quinto. Nessa província gigante
que faz fronteira com oito países, da Rússia à Caxemira
disputada com a Índia, é que se concentram as verdadeiras
dores de cabeça do regime chinês. O Tibete é
mais famoso, graças à mística de seus mosteiros budistas,
à fama do Dalai Lama e ao esplendor do Himalaia. Mas os tibetanos,
em sua placidez lamaísta, não têm ambições
separatistas. Os muçulmanos uigures são uma história
diferente. Xinjiang abriga grupos militantes capazes não de desestabilizar,
obviamente, mas de incomodar Pequim. Nas ruas de Ürümqi,
não é fácil encontrar quem apóie os separatistas.
O que há é a expressão de dissabores. Abu Lizi Ali,
de 22 anos, dono de uma loja de adagas orientais e frutas secas no Grande
Bazar de Ürümqi, queixa-se de que não pôde ainda
viajar para o exterior porque teria de gastar 10 mil iuanes (US$ 1.428)
para ter um passaporte: 1.000 em taxas e o resto em propina a funcionários.
A taxa normal é 200 iuanes (US$ 28,57). "Por ser uigur, pensam
que sou um Bin Laden", diz o comerciante analfabeto, que não
sabe o que é separatismo e nunca ouviu falar no Movimento Islâmico
do Turquistão do Leste. O casal Hahetiaji
Rehman, de 21 anos, e Ayitila Mijiti, de 20, ambos estudantes de computação
na Universidade de Xinjiang, não tem nada de radical. Eles até
namoram, o que não é comum em jovens muçulmanos de
famílias conservadoras, que partem direto para o casamento. No
entanto, têm de freqüentar a mesquita escondidos, porque na
universidade os professores lhes disseram que seriam punidos se o fizessem.
O mesmo acontece com funcionários públicos e professores. Ma Juliang, funcionário
da mesquita Shan Xi Xiang, da minoria hui, garante que há liberdade
de religião na China, e que a adesão de fiéis está
até crescendo, agora que os chineses têm asseguradas as necessidades
materiais. Mas confirma que o governo desencoraja os estudantes a se dedicar
à religião, por achar que eles têm de se focar nos
estudos. Ma não nutre a menor simpatia pelos separatistas: "Se
eu souber de alguém, informarei às autoridades." Mas,
como parece indicar o atentado de ontem, eles podem perturbar a "harmonia"
de Pequim. |
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