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Autoridades acusam separatistas por ataque |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quarta-feira,
6 de agosto de 2008
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KASHGAR, China Em entrevista coletiva
ontem à tarde, o secretário-geral do Partido Comunista de
Kashgar, Shi Dagang, informou que foram encontrados com os dois autores
do atentado textos defendendo a jihad, ou guerra santa. "A religião
é mais importante para eles do que a própria vida ou a paz
para suas mães, e por isso eles se lançam à jihad",
interpretou a maior autoridade política da cidade, reduto separatista
da Região Autônoma Uigur de Xinjiang, habitada por maioria
muçulmana. Sem dar os nomes dos
dois homens, nem a que grupo pertencem, Shi disse que um é verdureiro
e outro taxista. Na véspera, as autoridades tinham informado apenas
que ambos eram uigures e um tinha 28 anos e o outro, 33. Diversos grupos
separatistas querem transformar Xinjiang - que ocupa um sexto do vasto
território chinês e faz fronteira com oito países
- no Turquistão do Leste. Esse é um dos temas políticos
internos mais sensíveis da China, cuja maioria han, que representa
cerca de 90% da população, convive com 56 minorias. "Desde o ano
passado, organizações que lutam pelo Turquistão do
Leste têm tentado persistentemente lançar operações
contra os Jogos Olímpico", afirmou Shi, citando vários
complôs e tentativas abortadas pela polícia. "Eles querem
usar os métodos mais simples para transformar 2008 em um ano de
luto." Os dois homens jogaram
um caminhão de lixo contra um grupo de 70 policiais militares que
praticavam corrida na rua, desceram do veículo e os atacaram com
explosivos de fabricação caseira, segundo a polícia.
Um dos homens teve um braço arrancado pela explosão. Nenhum
civil foi atingido. De acordo com uma fonte ouvida pelo Estado, um ônibus
teria sido alvo de um atentado a bomba em Pequim do fim de semana, mas
o atentado foi acobertado. As medidas de segurança,
já bastante rigorosas, redobraram na Região de Xinjiang
depois do atentado. Cada ônibus passou a contar com dois policiais
a partir de ontem em Ürümqi, a capital de Xinjiang, 1.400 quilômetros
a leste de Kashgar. Eles revistam as bolsas e maletas dos passageiros
na entrada dos ônibus. As ruas da cidade já eram vigiadas
por professores - em férias de verão - que recebem 100 iuanes
(US$ 14,28) por dia. Desde o atentado contra dois ônibus, que matou
duas pessoas, em Kunming, sudeste do país, no dia 21, os coletivos
são vigiados por estudantes secundaristas, que ganham 60 iuanes
(US$ 8,57) por dia. Os policiais de Xinjiang
não têm folga desde o dia 4. As mesquitas de Ürümqi
foram fechadas por duas semanas, depois que cartazes separatistas foram
colados em algumas delas. Em Pequim, Ürümqi e Kashgar, seguranças
verificam bolsas e maletas na entrada de todos os edifícios. Na
entrada do casario medieval de Koziqiyabixi, atração turística
de Kashgar (que pertencia à Rota da Seda), dois policiais vão
revistar os visitantes a partir de hoje. Em Pequim, o aparato
de segurança pe formado por 34 mil militares, 74 aviões,
48 helicópteros e 33 embarcações. As forças
de segurança ergueram postos de controle nas estradas que dão
acesso a Kashgar e a Ürümqi. Praticamente não há
turistas nas duas cidades. Indiferentes a tudo isso, muitos moradores
de Kashgar aproveitavam ontem tranqüilamente a noite de verão,
passeando pelas praças e pelo belo bazar da cidade que, bem ao
estilo chinês, fecha apenas às 22h. |