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A maior potência industrial |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quarta-feira,
20 de agosto de 2008
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KUNSHAN, China No ano passado, eles
representaram 20% do faturamento de US$ 10 milhões da unidade americana
da Transor (que também tem unidades na Suécia e na Alemanha),
segundo Zhongyu líder mundial de filtros de reciclagem de óleos
usados por máquinas que cortam com carbeto, o minério mais
duro depois do diamante. Como o carbeto é muito caro, os filtros
são importantes para reaproveitar resíduos do minério
que escorrem no óleo das máquinas. Este ano, os clientes
chineses da Transor já compraram US$ 2 milhões, e devem
aumentar, como fazem ano a ano, a sua fatia no faturamento da unidade
americana, chegando a no mínimo 30%, estima Zhongyu. Os chineses inundam
o mundo com seus produtos industriais baratos, mas algumas fábricas
de máquinas e equipamentos - os chamados bens de capital - como
a Transor invertem a mão: exportam para a China. Desta vez, no
entanto, Zhongyu, ou Jonathan (todo chinês adota um nome em inglês
quando se relaciona com o Ocidente) não veio para vender. Sua missão
é abrir um escritório de representação da
Transor no pólo industrial de Kunshan, que deverá evoluir
para uma fábrica de filtros. "Este é um passo muito grande para nossa companhia", diz Zhongyu. "A economia dos Estados Unidos se desacelerou, e decidimos vir para cá para recuperar nossas perdas. A economia chinesa continua em boom, e queremos aumentar nosso mercado aqui." A China, diz o executivo, já não atrai mais fábricas tanto pela mão-de-obra barata, mas sim pelo seu crescente mercado interno. Entretanto, Zhongyu
explica que o plano não é só vender para o atraente
mercado chinês: a fábrica da Transor em Kunshan poderá
fornecer filtros para o Japão, a Coréia do Sul e a Índia,
e até mesmo para os Estados Unidos e o Brasil, diz ele. Como tem
um executivo chinês, a Transor acredita que não precisará
de parceria com uma estatal chinesa - como têm feito milhares de
empresas estrangeiras que se instalaram aqui, inclusive dezenas de brasileiras,
como a Embraco e a Embraer. A missão de
Zhongyu é o flagrante de uma transformação no capitalismo
(ou "socialismo com características chinesas") desse
país. Para deixar de ser uma base de exportação de
produtos industriais de baixo valor agregado e uma montadora de peças
com desenho, tecnologia e patente estrangeiras, a China precisa começar
a fabricar os seus próprios bens de capital. Claro que esse é
apenas um estágio. Afinal, os filtros da Transor continuarão
a ter patente americana. Mas é mais um passo rumo à construção
de marcas chinesas de qualidade. Depois de alcançar isso, a China
se tornará a maior potencial industrial do mundo. |
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