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Operários na 'Pequena Taipé' |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quinta-feira,
21 de agosto de 2008
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KUNSHAN, China Depois de começar
em 1974 em Taiwan como empresa de fundo de quintal, com investimento inicial
de US$ 7.500, a Foxconn é hoje a maior exportadora da China. Tem
unidades espalhadas pelo mundo inteiro, incluindo Manaus, Indaiatuba e
Jundiaí, no interior de São Paulo, onde fabrica 100 mil
notebooks por mês para a HP e para a Sony. Faturou em 2007 US$ 518
bilhões (28% mais do que no ano anterior). Emprega mais de 200
mil funcionários, dos quais 40 mil em Kunshan. A 40 km de Xangai,
Kunshan tem 650 mil moradores e 1,2 milhão de trabalhadores imigrantes.
Uma densa fumaça a cobre, e a acidez do ar impregna a pele, os
lábios e a saliva. A cidade tem a mais alta renda per capita da
China: US$ 13.424 em 2006. Por causa da concentração de
indústrias taiwanesas, ganhou o apelido de "Pequena Taipé". A Foxconn transformou
dezenas de milhares de filhos de agricultores pobres chineses em operários
da indústria. É o caso de Chao Yonghui, de 16 anos (idade
mínima legal de trabalho na China), e Xu Zengguang, de 20, ambos
do vilarejo de Yuexang, na província de Hunan (sudeste). Depois
de concluir o equivalente ao ensino básico (antigo ginásio)
no Brasil, eles fizeram um curso privado profissionalizante de dois anos.
Pagaram 1.000 yuans (US$ 146) para a escola conseguir-lhes uma vaga na
Foxconn, incluindo o ônibus de seu vilarejo para Kunshan, que custa
400 yuanes (US$ 58). Trabalham 12 horas
por dia, seis dias na semana, e fazem também horas-extras noturnas
e nos fins de semana, para ganhar 1.600 yuanes (US$ 233) por mês.
Se trabalhassem só 21 turnos de 12 horas por mês, receberiam
o salário básico: 840 yuanes (US$ 122,57), equivalentes
a 40 yuanes (US$ 5,83) por dia. Ninguém faz isso na Foxconn. Nos
fins de semana, o dia vale o dobro. Em Xangai, colegas de curso deles
conseguiram salários de 3 mil yuanes (US$ 438), mas o custo de
vida lá é mais alto. Na Foxconn, os empregados têm
comida e alojamento (quarto com beliches e banheiros no corredor) de graça.
Há quatro meses
na firma, Chao e Xu não assinaram contrato. Disseram-lhes que estão
em período probatório, que dura um ano. Não têm
seguro de saúde. Se o quiserem, têm de pagar 100 yuanes (US$
14,58) por mês, que se não utilizarem receberão de
volta ao pedirem as contas. Pouca gente opta por pagar. Xu conta que sair
é fácil. É só avisar o chefe. "Muitos
dos nossos colegas de curso já voltaram.", diz ele. "O
trabalho é muito chato", conta Chao. "Ficamos 12 horas
juntando partes de conectores." Chao e Xu não
têm o que fazer em Kunshan, além de assistir televisão
no refeitório, quando não estão no turno noturno.
Têm guardado dinheiro. Se saírem da Foxconn, irão
para outra fábrica em Kunshan. Não voltarão mais
para seu vilarejo em Hunan. |
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