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Na aldeia número 1 do mundo |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Sexta-feira,
22 de agosto de 2008
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HUAXI, China "Trabalhávamos
15 horas por dia", recorda Wu. A propriedade da fábrica clandestina,
assim como a receita de suas vendas, era repartida em ações.
Quem produzia mais ganhava mais - a antítese do socialismo. Em
1976, 380 famílias representando 1.500 moradores de Huaxi (outros
não quiseram participar) fizeram o que modernamente se chamaria
"aporte de capital": cada um colocou 2 mil iuanes na sociedade. No ano seguinte, diretriz
do PC determinou a distribuição das terras - até
então propriedade estatal - entre os camponeses. Mais uma vez,
Wu e seus sócios se rebelaram. Preferiram que as terras continuassem
parte dos ativos da empresa. A desobediência não ficou impune.
"Deixei de ganhar alguns títulos honoríficos",
afirma Wu, hoje com 81 anos. "Mas não ligo. Para mim era mais
importante que o povo de Huaxi enriquecesse." Foi precisamente o
que aconteceu. Em estudo publicado em 1978, o ideólogo comunista
Hu Fuming, maravilhado com a produtividade e prosperidade de Huaxi, apelidou-a
de "aldeia número 1 do mundo". Naquele mesmo ano, o líder
chinês Deng Xiaoping lançou as reformas inspiradas na economia
de mercado - que, no fundo, não eram mais do que Huaxi vinha pondo
em prática havia 17 anos. Deng visitou a aldeia em 1979 e deu a
Wu o título de "líder da aldeia número 1 do
mundo". Hoje, Huaxi é
um conglomerado de 20 aldeias e 60 mil habitantes (35 mil residentes e
25 mil trabalhadores imigrantes) - mas resiste a tornar-se município,
para não perder o título. A empresa, até hoje administrada
pelo Comitê do PC em Huaxi, virou uma holding de 80 fábricas
(nos setores de siderurgia, químicos, maquinário e confecções),
investimentos imobiliários e agronegócios, que faturou 45
bilhões de iuanes (US$ 6,62 bilhões) em 2007. Os 1.500 acionistas
originais agora dividem suas ações com executivos da empresa
e com investidores da Bolsa de Valores de Shenzhen, onde o capital da
empresa está aberto desde 1999. A renda per capita
dos residentes de Huaxi é 80 mil iuanes (US$ 11.764), uma das mais
altas da China. Todas as casas têm pelo menos um carro, área
mínima de 400 m², pelo menos três suítes, e já
vêm mobiliadas. A cidade, que recebe 2 milhões de visitantes
por ano, está deslocando as fábricas para longe e convertendo-se
ao setor de serviços. A holding, chamada Aldeia Huaxi Jiangsu S/A,
está investindo 1,5 bilhão de iuanes (US$ 220,5 milhões)
numa torre ultramoderna de escritórios, apartamentos e hotel de
238 m de altura, e 500 milhões de iuanes (US$ 73,5 milhões)
na conversão de toda a sua agricultura em orgânica. Wu é um herói
nacional e Huaxi, o ideal de prosperidade e qualidade de vida no campo.
Por determinação do PC, 10 mil quadros do partido vêm
fazer treinamento na cidade todos os anos. "Socialismo é fazer
o povo feliz", define Wu. |
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