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Um novo império global |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
24 de agosto de 2008
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HUAXI, China Huaxi, um conglomerado
de 80 fábricas com capital aberto na Bolsa de Valores de Shenzhen,
não desistiu do investimento no exterior. Em 2006, a aldeia-holding
(cujos moradores são sócios) investiu US$ 3 milhões
numa mina de cobre no Estado mexicano de Sinaloa (oeste). Na época da
missão de Jie para o Brasil, o então líder da aldeia,
Wu Renbao, determinou que aqueles que falassem línguas estrangeiras
teriam salários mais altos. Zhao Zhirong, então com 18 anos,
foi estudar espanhol na Universidade de Línguas de Pequim, porque
achava que era a língua falada no Brasil. "Fue una equivocación",
admite hoje sorrindo. A proeficiência de Zhao, hoje vice-diretor
de relações públicas do Partido Comunista local,
acabou sendo aproveitada no México. "Todos os que
estão aqui estudaram no exterior", exultou Wu Renbao durante
entrevista ao Estado, apontando para quatro funcionários do PC
de Huaxi. Em outubro, a aldeia promoverá uma festa para mostrar
a cidade ao mundo, e pagará as despesas de viagem e estadia de
400 convidados estrangeiros. Huaxi pode ser um
caso extremo: com seu faturamento anual de US$ 6,62 bilhões, tem
dinheiro sobrando para investir. Mas essa aldeia fincada no interior da
China exemplifica bem o ímpeto do antigo "Império do
Centro" de abraçar o mundo - com a Olimpíada vista
como a grande oportunidade de apresentar-se a ele. Como Huaxi, a China
tem gás para isso: suas reservas ultrapassam US$ 1,7 trilhão.
Na primeira metade de 2008, os investimentos diretos chineses fora do
país triplicaram, atingindo US$ 25,7 bilhões. Em todo o
ano passado, as companhias chinesas haviam investido no exterior US$ 18,7
bilhões - aumento de 6,3% em relação a 2006. Esses investimentos
são concentrados em projetos para garantir o suprimento de matéria-prima
para sustentar o acelerado crescimento econômico, num país
de recursos naturais exauridos. Na África Subsaariana, onde a globalização
à chinesa é mais ostensiva, o país explora petróleo,
cobre e outros minérios, e paga precisamente com a construção
da infra-estrutura necessária para o escoamento desses produtos
para a própria China: estradas, ferrovias e portos. Sem a menor
condição de interagir com culturas tão destoantes
da sua, os chineses se isolam em complexos residenciais nas cidades africanas. A China volta-se agora
para a América Latina, em especial o Brasil, onde pretende investir
bilhões de dólares em projetos do Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC) - aparentemente, só depende de o próprio
plano ser posto em prática. Se mantiver o ritmo
de crescimento, a China, hoje a quarta economia do mundo, deve ultrapassar
os Estados Unidos nas próximas décadas - segundo o economista
Albert Keidel, do Carnegie Endowment for International Peace, em 2035.
Será interessante - se não assombroso - assistir à
China na sua marcha para se tornar o novo império global. Hoje,
ela é um continente voltado para si mesmo, cuja população,
em quase a totalidade, não fala outra língua que não
o dialeto local, nunca viajou para fora de sua província e não
faz idéia de onde fica, por exemplo, a América do Sul. As
escolas chinesas perseguem metas ambiciosas de ensino do inglês
para as crianças - por si só uma revolução
geracional. Ao se lançar
sobre o mundo, a China nunca mais será a mesma - e o mundo também
não. |
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