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Colombianos sofrem com 'negócios'
da guerrilha |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
25 de julho de 1999
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BOGOTÁ - Na semana que passou, a polícia colombiana anunciou o desbaratamento de uma quadrilha curiosa. Os sete seqüestradores vendiam seus reféns às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na região dos Llanos Orientais. No dia seguinte, um carro-bomba das Farc deixava semidestruído um prédio em Medellín, porque uma companhia de cimento lá sediada se recusou a pagar a "vacina", o imposto mensal cobrado pela guerrilha. São notícias
como essas que fazem muitos colombianos pensarem que a guerrilha se converteu
em negócio, sustentado por três atividades principais: o
seqüestro, a extorsão e a venda de proteção
para o narcotráfico. Os dois primeiros são os que os cidadãos
comuns - sobretudo aqueles que têm algum dinheiro - sentem na carne.
Em Bogotá, é comum encontrar famílias que já
tiveram vários parentes seqüestrados - alguns deles, repetidas
vezes. Os assassinatos de fazendeiros ou empresários que se recusam a pagar a "vacina" só não são mais freqüentes porque a imensa maioria deles paga o "imposto" ou simplesmente abandona suas propriedades. Também faz
parte do cotidiano dos que são obrigados a viajar de carro ou caminhão
o chamado Se os seqüestros
são situações familiares fora da Colômbia,
mais difícil, para estrangeiros, é imaginar o que significa
viver num país em cujas estradas se pode deparar, a qualquer momento,
com um bloqueio armado, tanto do Exército quanto da guerrilha -
igualmente de uniformes verdes e fuzis em punho. Parar ou acelerar é
um jogo de roleta russa. Na semana passada, um jovem que dirigia numa estrada no centro do país julgou que a barreira fosse da guerrilha e tentou atravessá-la. Foi morto com um tiro de fuzil de um soldado: dessa vez, era do Exército. Um pouco pateticamente, um coronel apareceu na televisão responsabilizando a vítima: "Pusemos na estrada todas as indicações de que era barreira do Exército", disse ele, referindo-se a placas e emblemas facilmente imitáveis. A insegurança originou uma crise comercial entre Colômbia e Venezuela, os dois principais parceiros da Comunidade Andina. A Venezuela proibiu os caminhoneiros colombianos de cruzar a fronteira, para compensar os venezuelanos, que não se sentem seguros para viajar nas estradas do país vizinho. Os caminhões colombianos, com exceção de produtos perecíveis e químicos, têm de ser descarregados na fronteira, e a carga transferida para caminhões venezuelanos. "Para trafegar nas estradas colombianas, só com tanque de guerra", disse o presidente Hugo Chávez, da Venezuela. A violência tem refreado o crescimento do PIB colombiano em dois a três pontos porcentuais, por ano. Num acúmulo de dez anos, isso pode representar cerca de 50% de crescimento a menos do que o potencial da economia. Claro que é impossível calculá-lo com exatidão. Mas uma coisa é certa: toda atividade econômica ao alcance dos olhos da guerrilha, da mineração à indústria, passando pela agropecuária e o comércio, é inibida. Um grande criador
de gado do centro-sul do país conta que a guerrilha lhe cobra um
dólar ao mês por cada uma de suas 3 mil cabeças. Um
dono de 450 porcos teve, há dois meses, um encontro marcado com
guerrilheiros num bar, em que lhe explicaram que, a partir de então,
teria de pagar-lhes o equivalente a R$ 1,2 mil por mês. Em recados
e encontros, os guerrilheiros deixam claro que conhecem detalhes sobre
a família do extorquido - como onde estudam seus filhos. "A violência afeta a economia, na medida em que restringe as áreas do país em que se podem fazer investimentos", disse ao Estado o presidente interino da Bolsa de Bogotá, Juan Pablo González. O próprio êxito
do café na Colômbia se explica pela lógica da guerrilha
e do narcotráfico: o tradicional arábico colombiano só
pode ser cultivado em regiões altas, enquanto a coca e as "Entretanto,
na medida em que a economia não cresce, afeta o setor cafeeiro",
analisa Diego Pizano, assessor da Federação de Cafeicultores.
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