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Uribe
é reeleito na Colômbia |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira,
29 de maio de 2006
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BOGOTÁ Uribe obteve 62% dos
votos válidos, enquanto o segundo colocado, o candidato de esquerda
Carlos Gaviria, ficou com 22%. Horacio Serpa, do tradicional Partido Liberal,
teve apenas 12%, o pior desempenho da história da legenda. Nas
eleições parlamentares de março, Uribe já
havia reassegurado maioria absoluta no Congresso. As urnas também
confirmaram outra tendência detectada pelas pesquisas: o crescimento
da candidatura de Gaviria, do Pólo Democrático Alternativo,
uma frente de esquerda que abriga os ex-guerrilheiros do M-19, que subiu
10 pontos nas sondagens no último mês, tirando votos de Serpa.
Com 2,6 milhões de votos, Gaviria conquistou o quádruplo
dos votos de quatro anos atrás, e a votação mais
expressiva da história da esquerda na Colômbia. No seu discurso da
vitória, na noite de ontem, Uribe pediu diálogo ao Partido
Liberal, do qual é dissidente, e que lhe tem feito oposição
implacável. Dirigindo-se ao Pólo Democrático, Uribe
citou o líder pacifista indiano Mahatma Ghandi: "Eles não
são nossos inimigos. São nossos competidores. É a
bela competição da democracia." Num país cuja
história está marcada pela violência política,
cujo Partido Comunista derivou para a guerrilha nos anos 40, Uribe propôs,
num discurso emocionado: "Queremos uma nação pluralista,
mas em permanente construção de consensos. Para nós,
o pluralismo não é a fratura da nação, mas
a possiblidade de que se expressem todas as tendências de pensamento,
para que se alcance a verdade relativa, a única que está
ao alcance dos seres humanos." Falando de seu programa
de governo, Uribe enfatizou as possibilidades representadas pelo biodiesel.
A Colômbia importou da Índia as primeiras destilarias de
etanol, mas está estudando o marco regulatório brasileiro
para os motores flex, movidos a álcool e gasolina. O presidente disse
que, além de referendar o Tratado de Livre Comércio (TLC)
com os Estados Unidos, também quer avançar na integração
com o Mercosul, com a Comunidade Andina e com a União Européia.
Meia hora antes, em seu comitê de campanha, Gaviria e simpatizantes celebraram o resultado como se fosse uma vitória. Gaviria, de 69 anos, que foi professor de direito de Uribe na Universidade da Antioquia, não deixou dúvidas quanto às intenções de seu partido. "Ninguém do Pólo vai-se deixar cooptar", prometeu Gaviria, enquanto os simpatizantes gritavam "Uribe fascista, você é terrorista". Numa crítica
indireta ao ex-presidente Andrés Pastrana, líder conservador
que aceitou o cargo de embaixador em Washington e cujo partido passou
a apoiar Uribe no Congresso, Gaviria acrescentou: "Ninguém
vai trocar o lugar que lhe corresponde na oposição por uma
embaixada ou ministério." A votação
de ontem selou o declínio dos partidos tradicionais - o liberal
e o conservador, que historicamente se alternavam no poder. Foi a primeira
vez que um candidato do Partido Liberal não ficou entre os dois
primeiros colocados. Os conservadores nem sequer lançaram candidato,
apoiando Uribe. Outra particularidade
dessa eleição foi o clima de relativa tranqüilidade.
Pela primeira vez em décadas, o comando das Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc) não ordenou a sabotagem
das eleições. Em contraste, no dia da posse de Uribe, em
agosto de 2002, as Farc realizaram um atentado a bomba perto do palácio,
matando 14 pessoas. Fortemente patrulhadas
pelas forças de segurança, que mobilizaram 220 mil homens,
as principais cidades não registraram incidentes importantes ontem.
Na zona rural, o volume de incidentes não fugiu à rotina
na Colômbia. Em 2002, Uribe elegeu-se
com a promessa de uma guerra total contra a guerrilha, depois de um fracassado
processo de paz conduzido por Pastrana. Uribe cumpriu a promessa, liberando
extensas faixas de território e obrigando os 10 mil guerrilheiros
das Farc a recuar para regiões de fronteira com o Equador, o Panamá
e a Venezuela. Com isso, diminuíram os bloqueios dos guerrilheiros nas estradas, os seqüestros, as extorsões e as chacinas. Com a diminuição da insegurança, e o ambiente internacional favorável, a economia tem crescido a um ritmo de 5% ao ano. Os investimentos aumentaram e o desemprego caiu de 20% para 13%. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |