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Vitória
quebra a tradição de alternância de poder |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira,
29 de maio de 2006
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BOGOTÁ Além disso,
Uribe, hoje com apenas 53 anos de idade, que ele sequer aparenta, tem
sido evasivo em relação a uma pergunta lhe tem sido feita
freqüentemente: "O senhor vai tentar reformar a Constituição
de novo para obter um terceiro mandato?" Uribe não tem descartado
essa possibilidade. A inabalável
popularidade de Uribe e seu visível apego ao poder têm suscitado
um insólito paralelo com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
com quem Uribe sempre viveu às turras, por causa de sua manifesta
simpatia pelos guerrilheiros colombianos. Na quarta-feira, Chávez,
que vai tentar o terceiro mandato em dezembro deste ano, fez um inédito
elogio em público, ao prognosticar a reeleição do
presidente colombiano: "Eu respeito o presidente Uribe, e sempre
digo que é um homem de coragem", disse ele, para argumentar
que, se o povo de um país assim deseja, não há por
que não reeleger um presidente indefinidamente. A democracia colombiana
é um caso único na América do Sul. Ao longo de todo
o século 20, com uma regularidade notável, o país
trocou de presidente a cada quatro anos, apesar da violência política
que marca a sua história e do conflito armado de seis décadas.
A reeleição de Álvaro Uribe rompe com essa tradição
de alternância na Casa de Nariño, o palácio presidencial. Foi um processo longo,
com idas e vindas, que tomou praticamente todo o primeiro mandato de Uribe.
Em outubro de 2003, o presidente promoveu um referendo sobre a possibilidade
de reeleição. Foi derrotado. Mas não desistiu. Usufruindo
de folgada maioria no Congresso, Uribe obteve, em novembro de 2004, a
aprovação de uma reforma constitucional, introduzindo a
reeleição. A
reforma foi contestada por 18 ações na Corte Constitucional,
que no entanto confirmou sua validade em outubro de 2005, abrindo caminho
para a nova candidatura presidencial. Integrante da elite colombiana, mas capaz de falar a linguagem do povo mais humilde, Uribe reúne atributos que não costumam vir juntos, como um sólido preparo intelectual e uma coragem física admirável. Os colombianos comuns não se esquecem de sua atitude logo depois do atentado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de que foi alvo em abril de 2002, em Barranquilla (norte do país), durante sua primeira campanha a presidente. Os explosivos colocados
num ônibus na estrada por onde passava sua comitiva danificaram
seriamente a caminhonete blindada onde o candidato viajava, matando quatro
pessoas e ferindo 20. Uribe saiu da caminhonete dizendo que estava bem
e que era preciso preocupar-se não com ele, mas com os seus auxiliares
e agentes de segurança. Poucos minutos depois do atentado, Uribe,
cujo pai foi morto pelas Farc em sua fazenda em 1983, falou aos jornalistas,
aparentando enorme tranqüilidade: "A Colômbia necessita
de governos com autoridade que freiem os violentos. Isso acontece diariamente
aos colombianos." Nascido no dia 4 de
julho de 1952, em Medellín, Uribe se formou em direito na Universidade
da Antioquia, e se especializou em administração de empresas
na Universidade de Harvard. Entre 1998 e 1999, foi professor-associado
na Universidade de Oxford. Workaholic, Uribe
acorda todos os dias às 5 da manhã, faz uma hora de exercício
e se dedica aos assuntos de sua fazenda. Depois lê as notícias
e se inteira dos assuntos do dia com seus assessores. Às 9h, começa
a despachar, faz uma pausa ao meio-dia para praticar ioga e termina sua
jornada de trabalho às 22h. Nos fins de semana, vai ao interior
com seus ministros, participar de conselhos comunitários, em que
ouve a população sobre os seus problemas. Avesso a polêmicas
- ele foi muito criticado por se recusar a participar de debates -, sua
carreira política se caracteriza por cargos no Executivo. Começou
aos 24 anos, como chefe de patrimônio das empresas públicas
de Medellín. Depois foi secretário-geral do Ministério
do Trabalho e diretor da Aeronáutica Civil. Em 1982, elegeu-se
prefeito de Medellín e, em 1995, governador da Antioquia. Nesse período,
teve a iniciativa mais polêmica de sua carreira: incentivou a criação
das cooperativas Conviver, grupos de segurança privada custeados
por empresários e fazendeiros para conter os seqüestros e
extorsões protagonizados pela guerrilha, que deram origem aos paramilitares.
Como presidente, Uribe aprovou a Lei de Justiça e Paz, que desmobilizou
e está reinserindo na sociedade 40 mil ex-combatentes, dos quais
dois terços são paramilitares. O presidente é
acusado de ter negociado a lei e de tê-la moldado segundo os interesses
dos paramilitares, que assim não terão de prestar contas
das atrocidades cometidas. No dia 18, a Corte Constitucional rejeitou
dispositivos da lei que permitiriam a impunidade dos ex-combatentes, reafirmando
que eles terão de ser julgados por seus crimes. Uribe garante que
a lei também é para os guerrilheiros, e se declara disposto
a negociar com eles, oferecendo-lhes um território desmilitarizado
para realizar o diálogo. O primeiro mandato
de Uribe foi inaugurado com um atentado das Farc perto do palácio,
que deixou 14 mortos, enquanto ele era empossado, em agosto de 2002. E
termina, depois de uma guerra sem tréguas, com a decisão
do comando das Farc de, pela primeira vez em décadas, não
ordenar a sabotagem das eleições. Há a possibilidade
de um processo de negociações, neste segundo mandato de
Uribe. Mas as chances de se chegar a um acordo são maiores com
o Exército de Libertação Nacional, um grupo guerrilheiro
menor, do que com as Farc, que têm 10 mil homens concentrados nas
fronteiras com Venezuela, Equador e Panamá. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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