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Esquerda
mostra força na Colômbia |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira,
30 de maio de 2006
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BOGOTÁ "Foi um recado
muito importante para a guerrilha", diz a cientista política
Elisabeth Ungar, diretora do programa Congresso Visível da Universidade
Los Andes, que monitora as atividades parlamentares. "A cidadania
deixou claro que acredita na democracia, não na guerrilha." Foi a votação
mais expressiva da história da esquerda colombiana. Na eleição
presidencial de quatro anos atrás, Gaviria teve um quarto desses
votos. Em março, o Pólo obteve cerca de 10% das cadeiras
no Senado e na Câmara. No domingo, ultrapassou o tradicional Partido
Liberal, do candidato Horacio Serpa, que pela primeira vez não
ficou entre os dois primeiros colocados numa eleição, obtendo
apenas 11,8% dos votos. No novo Congresso, que toma posse em 20 de julho,
os liberais ocupam cerca de 17% das cadeiras. O desempenho de domingo
consolida uma alternativa democrática para a esquerda colombiana,
que nas últimas seis décadas tem feito política predominantemente
por meio das armas. O Pólo abriga ex-guerrilheiros do M-19. O crescimento eleitoral
da esquerda coincide com uma ofensiva sem precedentes contra as Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), empreendida pelo
governo Uribe nos últimos quatro anos, quando os guerrilheiros
tiveram de recuar de vastas fatias de território sobre a qual exerciam
influência, para áreas de fronteira com a Venezuela, o Panamá
e o Equador. Muitos rejeitam a
idéia de que essa tenha sido uma opção ideológica,
no entanto. "Não se trata tanto de um fortalecimento da esquerda,
mas da expressão de um antiuribismo, por pessoas que não
se sentiram confortáveis com a candidatura Serpa", opina o
analista político Ramiro Bejarano, de tendência liberal.
"Se os liberais não virarem a casaca, terão um papel
mais importante que o Pólo no Congresso." Os seis partidos que
apóiam Uribe obtiveram cerca de 60% das cadeiras da Câmara
e do Senado, nas eleições de março. Com sua votação
estrondosa do domingo, Uribe, um liberal dissidente, tende a angariar
ainda mais apoio de integrantes do partido. "Uribe já tem
as chaves do Partido Liberal", admitiu ontem o ex-presidente liberal
Alfonso López Michelsen. "A maioria dos liberais o apóia." Assim, a maioria do
governo no Congresso tende a se tornar ainda mais folgada. "O governo
Uribe é um trem a 300 quilômetros por hora. Ninguém
pode pará-lo, não há como pôr uma pedra em
sua governabilidade", disse ao Estado o senador eleito Armando
Benedetti, um dos políticos com mais acesso ao presidente. "Creio
que ele fica um pouco como Lula no cenário político." Benedetti pediu no
domingo à noite, logo depois da vitória de Uribe, que todos
os ministros do gabinete renunciassem. A idéia é que o presidente
possa formar já o seu novo governo - portanto bem antes da posse
formal do segundo mandato, em 7 de agosto -, com base na nova configuração
de sua base de apoio. A composição
é bastante diferente do primeiro mandato, porque uma reforma política
em 2003 mudou as regras eleitorais e partidárias. A reforma introduziu
a fidelidade partidária, aumentou a exigência mínima
de votos para ter representação no Congresso, criou listas
e deu origem a novas legendas e coalizões. "Uribe tem uma maioria indiscutível no Congresso, mas não sei por quanto tempo", diz Elisabeth Ungas. "Esse apoio é circunstancial, depende de posições sobre questões como os paramilitares, a guerrilha e o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos." O senador Benedetti, pertencente ao Partido da Unidade Nacional, de Uribe, também detecta um problema: "Creio que os partidos têm uma expectativa desmedida de co-governar com o presidente." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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