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Uribe
é favorito hoje na Colômbia |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
28 de maio de 2006
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BOGOTÁ A segurança
conquistada pelo Plano Patriota de Uribe está para a Colômbia
assim como a estabilidade do Plano Real de Fernando Henrique Cardoso esteve
para o Brasil, na década passada. Embalado numa popularidade na
casa dos 70%, Uribe reformou a Constituição para possibilitar
a sua reeleição e, com uma sólida maioria no Congresso,
alienou a oposição a um papel coadjuvante. "A segurança
é uma necessidade básica, compartilhada por todos os segmentos:
as classes alta e baixa, as zonas rural e urbana", define Napoleón
Franco, diretor do instituto de pesquisas de opinião Ipsos. "Para
a classe alta, para o empresariado, a continuidade significa evitar traumas.
Para as classes baixas, Uribe dá a impressão de que vai
resolver todos os seus problemas." Há dois Uribes.
Há o filho de fazendeiro do próspero Departamento de Antioquia,
cujo pai foi morto pelas Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia (Farc), formado em direito, especializado em administração
na Universidade de Harvard, professor visitante em Oxford, enfim, um representante
da elite. Esse é o Uribe de segunda a sexta. No sábado,
o presidente põe um chapéu panamá com as abas dobradas
para cima e vai para os povoados, com todos os seus ministros, participar
de conselhos comunitários, transmitidos ao vivo pela TV. "O
que é que o presidente precisa saber?", começa ele.
Os moradores reivindicam serviços, reclamam obras. Uribe se vira
para os ministros da área e passa pitos: "Quero saber por
que isso não andou. Daqui a dois meses vou cobrar." Uribe faz sempre promessas
em nome de funcionários. Se algo não vai bem, é culpa
dos outros, não dele. Faz papel de cidadão comum, que se
indigna e cobra do governo. "Ele se mantém protegido, combinando
a intervenção direta e a delegação imediata
com a responsabilidade transferida", resume Franco. Carlos Velásquez,
professor de ciência política da Universidade La Sabana,
vai mais longe. "Muitas famílias carentes sofrem da ausência
do pai", diz ele. "Num país com uma cultura política
deficiente que tem esse problema inconsciente, o presidente se transformou
no pai que sempre faltou." Quando fala com a gente simples, Uribe
utiliza uma linguagem familiar, repleta de diminutivos, bem ao gosto dos
colombianos. "É o pai falando com a família na mesa
do jantar." Em toda a Colômbia,
os antioquenhos são respeitados como uma gente ousada, forte e
ambiciosa - numa palavra, "berraca", na gíria local.
Nos anos 80, essas qualidades eram encarnadas em Pablo Escobar, o chefe
do Cartel de Medellín, capital da Antioquia. Hoje, são em
Uribe. "Ele tem as calças bem postas no lugar", diz o
taxista William Ramírez, de Medellín. "Foi o único
que colocou o 'tatequieto' ('fica-quieto', como se faz com as crianças)
na guerrilha." Incentivadas pelo
presidente, as Forças Armadas recuperaram faixas extensas de território
antes sob a influência da guerrilha e liberaram muitas estradas
dos bloqueios constantes que ela promovia, reduzindo drasticamente as
chacinas nos povoados, os seqüestros e as extorsões. Como
havia uma ligação entre o banditismo comum e a ação
da guerrilha e dos paramilitares - que foram em grande parte desarmados
-, a criminalidade diminuiu nas cidades. Há 13 anos,
o marido de Olga Tobón foi assassinado durante um assalto em Medellín.
Na mesma época, a irmã dele, Nelly Calle, teve de entregar
o carro a homens armados. Na terça-feira, Olga e Nelly, que moram
no bairro de El Poblado, o mais elegante de Medellín, pegaram um
ônibus e foram tranqüilamente buscar um parente no aeroporto.
Nelly tem uma administradora de condomínios, e diz que anda despreocupada
pelo centro de Medellín, com dinheiro na bolsa, indo a bancos e
a repartições públicas. "Não poderíamos
jamais fazer isso antes", disse ela. "Desde que o presidente
Uribe subiu, Medellín mudou totalmente. É preciso votar
nele de novo agora." Não que não
haja críticas ao governo. Entre intelectuais, defensores de direitos
humanos e esquerdistas, o presidente é acusado de cumplicidade
com os paramilitares, espécie de esquadrões da morte criados
para combater a guerrilha, e que agora estão sendo desmobilizados
e reintegrados à sociedade, sem prestar contas sobre os crimes
cometidos. Mas isso não preocupa o eleitor típico de Uribe.
"Os 'paras' estavam do lado do bem", resume o taxista Ramírez. Os outros principais
candidatos, Gaviria e Horacio Serpa, do tradicional Partido Liberal, dão
mais ênfase a negociações com a guerrilha e a programas
sociais. Mas com isso acabam remetendo a maioria dos colombianos ao trauma
do fracasso de Pastrana. Entre abril e maio, enquanto Uribe se mantinha
estável, Gaviria subiu dez pontos nas intenções de
voto, roubando votos de Serpa, que hoje figura entre 10% e 13%. Mas até
isso se deve mais a Uribe do que a um apego aos ideais da esquerda, interpreta
Napoleón Franco. "Uribe chamou Gaviria de 'comunista disfarçado'.
Com isso, atraiu o voto dos antiuribistas para ele." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |