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Brasil
e Colômbia ampliam acordos |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado,
27 de maio de 2006
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BOGOTÁ Há três
anos, a Colômbia ficou em último lugar no campeonato mundial
de pentatlo militar, que reúne corrida "cross country",
tiro, lançamento de granada, natação de combate e
pista de obstáculos militares. Mais do que uma modalidade esportiva,
o pentatlo é sinal de excelência em práticas militares
- e influi no moral da corporação. A Colômbia pediu
ajuda ao Brasil. O Exército brasileiro lhe mandou o que tinha de
melhor. Bandeira, 45 anos,
foi cinco vezes campeão mundial no pentatlo por equipe e quatro
vezes individual, e detém o recorde sul-americano em granada, contagem
geral individual e por equipe. Há dois anos, ele e o capitão
Jetson Turquelo, também do Exército brasileiro, treinam
militares colombianos. Os quatro cadetes colombianos condecorados ontem
com a Medalha de Excelência Física são alunos de Turquelo
e Bandeira. O Exército colombiano está agradecido. Na terça-feira,
Turquelo receberá a sua condecoração. O tenente-coronel
Ronaldo Brasil de Souza chefia o Grupo Interamericano de Desminado Humanitário,
encarregado de remover minas na Colômbia, e do qual participam outros
dois militares brasileiros. Outra missão que os colombianos apreciam.
Depois de seis décadas
de conflito armado, a Colômbia é um dos países mais
minados do mundo. De cada três pessoas que são mutiladas
por dia, uma é criança. Dois militares da equipe foram acidentados
com minas nos últimos dias. Um perdeu uma perna; o outro, um olho.
A cooperação
militar rende dividendos. Em novembro, a Embraer fechou a venda de 25
aviões Supertucanos, para interceptação de aviões
em baixa altitude (caso das avionetas usadas pelo narcotráfico)
e ataque ao sólo. O pacote, que inclui instrução,
manutenção e um simulador, saiu por US$ 235 milhões.
Enquanto o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, faz marola e acaba comprando da Rússia ou da Espanha, é o da Colômbia, Álvaro Uribe, quem acaba assinando cheques para o Brasil. Aqui, as aparências enganam. Apesar da suposta diferença ideológica entre Uribe, considerado de direita, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a química entre ambos tem sido notável. Muito próximo
dos Estados Unidos e colecionando situações desconfortáveis
com Chávez, e agora com seu pupilo na Bolívia, Evo Morales,
Uribe tem-se fiado em Lula para aliviar tensões. Em abril, o presidente
colombiano "baixou" em Brasília numa viagem não
agendada. Foi pedir a ajuda a Lula para lidar com Chávez, que se
retirara do Pacto Andino, e com Morales, depois que a Colômbia substituiu
a compra de soja boliviana pela americana, como parte de uma negociação
bilateral de Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos. "O presidente
Uribe procura, na figura do presidente Lula, um apoio nas suas relações
com países que se estão direcionando mais para a esquerda
na América do Sul", observa o embaixador do Brasil em Bogotá,
Júlio César Gomes dos Santos. Durante um almoço
com Lula em Bogotá, em dezembro do ano passado, Uribe, discursando
de improviso, demonstrou sua admiração pessoal pelo brasileiro.
Depois de realçar a história de Lula e do PT, e de reconhecer
seu papel de líder da luta contra a pobreza, Uribe declarou: "Nossas
relações eram mais de cortesia, eram diplomáticas
no sentido burguês do termo. Não estavam interessadas em
avanços práticos. O senhor as dinamizou muitíssimo." O Brasil exporta US$
1,28 bilhão ao ano para a Colômbia, em maquinário,
ônibus, tratores, autopeças e produtos químicos, e
importa apenas US$ 200 milhões. Grandes empresas brasileiras têm
presença crescente no país. A Petrobrás,
que já explora petróleo na Colômbia, avança
agora para a distribuição, assumindo a rede de postos Shell
do país a partir do mês que vem. A Gerdau está produzindo
aço na Colômbia, mirando sobretudo o mercado americano. A
Camargo Corrêa está construindo a segunda hidrelétrica
no país, num contrato de US$ 239 milhões. Durante a visita
de Lula, ficou acertado que a licitação da construção
da estrada Pasto-Mocoa, de 230 quilômetros, será disputada
entre empresas brasileiras. A lista de "avanços
práticos" é extensa. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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